• Governo perde
Fazendo uma leitura ampliada da eleição da Câmara Municipal de Bauru, ocorrida ontem, após quase 13 horas de negociações, dois aspectos se destacam: o excessivo grau de fisiologismo das conversações e a derrota a que o governo Rodrigo Agostinho (PMDB) foi submetido. O que até agora era 9 a 7 (16 vereadores) em prol dos interesses da prefeitura, poderá ser o contrário a partir de 1de janeiro, dia da posse da nova direção do Poder Legislativo.
• 'Desarticulados'
Saltou aos olhos a forma desastrosa como alguns assessores, presidentes de partidos da base aliada e até gente sem cargo na prefeitura, mas que fala em nome do governo, desfilou tresloucadamente pelos corredores, plenário e sala da presidência da Câmara, de forma arrogante e fazendo pressão na hora errada. Mais uma vez o prefeito Rodrigo Agostinho está pagando um preço alto por "desarticulados" que teimam em falar em seu nome.
• Fantasmagórico
Até quando o prefeito vai deixar que gente que não o representa fale e negocie pela prefeitura? Essa realidade não é de hoje. Desde o início do governo, quase todos tiveram chances. Não souberam mantê-las, seja por incompetência ou por motivos piores, e agora seguem perseguindo cargos, como “fantasmas” à sombra do Palácio das Cerejeiras, fazendo reuniões secretas, pressionando, semeando intrigas. Não é primeira vez que colocam o governo em situações-limite ou mesmo o expõem a derrotas. Até quando?
• “Mamãe eu quero...”
Esse bloco que tenta gravitar artificialmente em torno do poder central da prefeitura, conhecido por ser adepto da marchinha “Mamãe eu quero...”, ontem à noite teve de sair da Praça Dom Pedro II na base do “salve-se quem puder”, tamanho o fiasco de sua participação nas intermináveis negociações em torno de um nome situacionista para presidir a Casa. No final, venceu Roberval Sakai (PP), que votava até ontem com o bloco de situação, mas que se elegeu por obra e graça das articulações oposicionistas.
• Limite extrapolado
Lideranças da oposição disseram ontem, ao final dos trabalhos, que ficaram horrorizados com a arrogância e falta de habilidade de quem articulava pela situação. O grupo que tinha em Renato Purini o candidato, após horas de conchavos e mesmo vendo que a estratégia teria de ser outra, tentou impor goela abaixo uma situação que já havia se tornado insustentável. Conclusão: a oposição, formada por 7 vereadores, propôs a presidência a Sakai, que aceitou e levou consigo o vereador Carlinhos do PS. Ambos são do PP.
• Princípios no lixo
No restante, ficou evidente que a política como é praticada hoje passa distante de princípios mais elevados que a deveriam colocar em sintonia com o espírito e o interesse públicos. O que se viu ontem, predominantemente, foi um espetáculo dantesco de interesses particulares sendo postos às mesas de negociações. Pouco ou quase nada se pensou na instituição Poder Legislativo. Mas não é diferente nas assembleias legislativas muito menos no Congresso Nacional. Há muito o que se evoluir neste País de pouca ética.