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Bolsa Família

Lamarck Boro
| Tempo de leitura: 3 min

Lendo hoje algumas palavras articuladas por Gandhi, passei a refletir. É notório que toda ação gera uma reação... isso é lei, é física, é natural. Como é que pode então o nosso Governo Federal simplesmente sair por aí distribuindo dinheiro, aos sete ventos, ou seja, a qualquer um que se diga carente? Vamos tentar entender: Definimos ação como ato de fazer e, reação, como reciprocidade, contraprestação ou, ainda, fisiologicamente dizendo: “resposta do organismo a um estímulo”.

Pois bem, Será que, pela ação do pagamento do Bolsa Família não seria possível uma reação, cobrando-se desses beneficiados prestação de serviços relevantes à comunidade?

Se, de um lado esses favorecidos pelo Bolsa Família recebem gratuitamente valores para sua subsistência, de outro poderiam prestar serviços tais como varrer, limpar, lavar, pintar, plantar, vigiar, conservar, cimentar, carpir, auxiliar portadores de necessidades especiais, zelarem pelo desenvolvimento sustentável, etc., etc. e etc. Mesmo que por um expediente reduzido, poderíamos ter uma mão-de-obra que, certamente, contribuiria contra uma ancestral série de reclamações vindas da camada popular. Seria uma nova modalidade voltada à ordem e ao progresso.

E mais ainda, você já parou para pensar que essas pessoas são tratadas como reles mendigos e humilhantemente recebem o Bolsa Família a título de esmola? Literalmente Esmola! No caso, o Governo Federal foca nas desigualdades sociais com plausível louvor, porém, tangencia das desigualdades morais, que também merecem atenção prioritária.

Veja só como essas pessoas poderiam ser agraciadas com o auxílio e, ao mesmo tempo, deixarem de serem classificadas sob a pecha de “escória”. Poderiam elas prestar importantes serviços à coletividade. Quantos jardins públicos estão em condição de abandono? Quantas creches necessitam de um vigia ou um “servicinho” de limpeza? Nossas penitenciárias e cemitérios são nojentos, as escolas públicas são sujas e precisam constantemente de reparos, sem dizer do tráfico e da violência que circundam livremente esses perímetros, e que tais fatos ocorrem sempre quando não há ninguém vigiando. Pois que fique alguém ali sentado, num banquinho, quietinho... e ligue prá polícia quando assim for necessário. É tão simples e tão funcional!

As minhas sinceras homenagens ao Governo Lula, que tirou tanta gente da miséria e da fome. Gostaria de oferecer essa matéria, jamais como crítica, mas como sugestão e contribuição para melhor ainda mais esse fantástico projeto social. Concluindo, gostaria de brindá-los, se permitem, com as palavras que comentei acima, de Mahatma Gandhi, que seguem: “A não-violência é meu artigo de fé. E também o ultimo artigo do meu credo. A não-violência completa é a ausência completa de maus desejos com relação a tudo que vive. A não-violência na forma ativa, é a boa vontade para tudo o que é vivo. É o amor perfeito. ...Já é bastante nobre defender seu bem, sua honra e sua religião na ponta da espada. É mais nobre ainda defende-las sem fazer mal ao malfeitor. Mas é vil, antinatural e desonroso abandonar seu posto e, para salvar a própria pele, deixar seu bem, sua honra e sua religião à mercê do malfeitor.

Vejo que posso com sucesso, pregar a não-violência àqueles que sabem morrer,

Mas não àqueles que têm medo a morte. Minha não-violência não permitiria dar uma refeição gratuita a um homem saudável, que não trabalha para ganhá-la. Se eu tivesse poder, suspenderia toda ´sadavrata´ (obras de caridade) em que se dá alimentos em troca de nada. Tal hábito faz degenerar o povo e, ter preguiça, ociosidade e hipocrisia é um crime. A verdade é dura como diamante e frágil como a flor de pêssego.” Mohandas K. Gandhi (Mahatma Gandhi) 1869-1948.

O autor, Lamarck Boro, é advogado e secretário geral da Uniesp - unidade de Jaú

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