Cultura

Música erudita para todos


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A maestrina Inez Beatriz Castro Martins, que está em Bauru visitando a família do noivo bauruense, dá um exemplo para profissionais de música que buscam desenvolver iniciativas culturais pelo País.

Professora e regente da orquestra de música da Universidade Estadual do Ceará (Uece), Inez, antes de entrar para a carreira acadêmica, foi voluntária em um projeto de evangelização por meio da música, em que conheceu a realidade cultural de vários Estados brasileiros.

Para o próximo ano, a perspectiva de Inez é retomar um projeto da Uece de levar música para escolas municipais e estaduais, não apenas complementando a lei de obrigatoriedade de música nas escolas brasileiras, mas levando uma perspectiva a mais para crianças e jovens.

O sonho de Inez agora é retomar o projeto. “Os alunos da universidade vão (nas escolas) e desenvolvem a música com alunos a partir dos 10 anos. Já formamos orquestras jovens. Trabalhamos músicas de vários tipos - erudita, popular, tradicionais e de bandas -, desde que sejam boas composições. Para o projeto, a música precisa ser boa, não necessariamente erudita. Utilizamos desde Villa Lobos até Luiz Gonzaga”, diz.

Nascida em Fortaleza, a maestrina possui bacharelado em piano pela Uece e já deu aulas de música em várias instituições brasileiras. Inez foi a primeira mulher a reger a orquestra Eleazar de Carvalho, referencial da música erudita no Ceará. Também esteve à frente de apresentações da Orquestra Sinfônica Brasileira e da Orquestra Sinfônica de Tatuí, quando morava no estado de São Paulo.

Inez conheceu o bauruense Heráclito Ribeiro Egas, mas que mora no Maranhão, em uma apresentação de orquestra. Ele a acompanha e admira as iniciativas e profissionalismo da noiva.

“Acompanhei o projeto que era desenvolvido com jovens, em comunidades. Ajudava até a carregar os instrumentos. E era muito interessante a interação das famílias com os projetos. Quando levam música erudita para as comunidades carentes, são famílias que se impressionam, que adoram e é uma ação importante”.

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‘A música erudita não é elitizante’

Inez acredita que a música erudita deve ser vista como uma das bases para a formação pessoal dos cidadãos, independente da classe social. “A música erudita não é ‘elitizante’. Quando levamos para classes mais baixas instrumentos e conhecimento, todos adoram. É uma questão de acesso. Quando as pessoas têm acesso a uma coisa boa, elas irão gostar. Por isso a boa música deve se popularizar”.

Para Inez, o incentivo à música ainda é insuficiente. “Faltam incentivos e mais projetos. Todos temos a necessidade de buscar formação artística e o jovem se insere nessa realidade. Quando a pessoa tem o conhecimento, desperta a profissionalização, que é o que ocorre quando eles buscam as universidades. Assim como o esporte, a música faz parte do processo de democratização”.

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