Uma árvore da espécie jatobá conseguiu encontrar uma forma de sobreviver apesar das constantes ações humanas contra o meio ambiente. De proporções e beleza exuberantes, o jatobazeiro já existia quando Adalto Dias Giafferi Prado, de 77 anos, comprou sua chácara nas Águas Virtuosas, em 1974. "Ela era grandiosa: dois homens abraçavam o tronco da árvore", lembra ele.
Há dez anos, porém, o fogo queimou parte de seu tronco e o jatobazeiro perdeu sua majestade, mas mostra dia-a-dia a força da natureza ao manter-se de pé. "Eu não sei como ele ainda não morreu ou não caiu. É impressionante, pois resiste a chuvas e ventanias apesar da fragilidade do tronco. Todas as vezes que alguma coisa do tipo acontece, eu venho ver se ele continua aqui. Se cair, vai ser muito triste para mim", diz Adalto.
O engenheiro agrônomo Luiz Carlos de Almeida Neto, diretor do Jardim Botânico Municipal, confirma que as condições do tronco e a inclinação de quase 45 graus da copa tornam o jatobazeiro mais suscetível a ações da natureza e até mesmo ao ataque de pragas.
No entanto, ele explica que uma árvore morre apenas quando o seu sistema vascular, responsável pelo transporte de água e nutrientes, é completamente bloqueado ou destruído. "Enquanto existirem tecidos vivos, ela se adapta para sobreviver. No caso desse jatobazeiro, podemos verificar até mesmo um processo de cicatrização nos locais onde foram retiradas as cascas do tronco", afirma.
O jatobá é uma espécie de árvore característica das florestas estacionais, a Mata Atlântica dessa região do Interior. "Apesar disso, infelizmente são poucas as áreas de preservação desse ecossistema", lamenta o diretor do Jardim Botânico.
Um jatobazeiro pode chegar a 30 metros de altura e o seu fruto é comestível, apreciado por muitos e indicado para casos de anemia crônica. Segundo a tradição indígena, o fruto jatobá traz equilíbrio de anseios, desejos, sentimentos e pensamentos.