Agilidade, maior qualidade no serviço e menor desgaste por parte do trabalhador. Estes são os benefícios das roçadeiras costais movidas a gasolina, equipamento utilizado para aparar a grama dos terrenos públicos do município.
A tecnologia chegou a Bauru em 2000, época em que, segundo a Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), o aparelho tornou-se economicamente viável e foi amplamente divulgado pelos fabricantes. De lá para cá, aos poucos, as enxadas e foices foram substituídas e, atualmente, só são usadas para carpir pequenas áreas, que geralmente ficam próximas a postes ou paredes, onde as roçadeiras não alcançam.
"É uma tecnologia relativamente simples, mas é o que há de melhor no mercado hoje. Para se ter uma ideia, um trabalho que antes era feito com a enxada por cinco funcionários, hoje pode ser realizado por apenas um funcionário se ele estiver usando uma roçadeira. Além disso, o equipamento proporciona um ótimo acabamento", enumera Ewerton Mussi Hunzicker, diretor de limpeza pública da Emdurb.
Hoje, a Emdurb dispõe de 26 roçadeiras profissionais, que custam entre R$ 1.500,00 e R$ 1.800,00 cada.
Circular adaptado
Quando o assunto é transporte coletivo adaptado para pessoas com deficiência física, Bauru ganha destaque entre muitos municípios da região. Isto porque 81% da frota de ônibus que circulam pelos bairros da cidade já conta com dispositivos eletromecânicos, que permitem a elevação e fixação de cadeira de rodas no interior dos veículos.
Contudo, o acesso a esse tipo de tecnologia ainda é novidade para os bauruenses, já que os primeiros modelos de transporte coletivo adaptados passaram a circular pelas ruas da cidade em 2006, 25 anos depois do primeiro ônibus equipado com a tecnologia chegar ao País.
Antes disso, os cadeirantes de Bauru tinham como recurso o transporte agendado porta a porta, realizado por quatro vans, ou precisavam contar com a sorte para encontrar funcionários e passageiros dos ônibus em circulação pela cidade que se dispusessem a colocar de forma braçal a cadeira de rodas no interior do veículo.
Os veículos mais recentemente incorporados à frota dispõem ainda de assentos dobráveis e espaço para cão guia no nicho destinado à cadeira de rodas. Bancos especiais para pessoas obesas e assentos preferenciais para gestantes, idosos e pessoas com limitações físicas também são benefícios garantidos pelo transporte coletivo bauruense.
Em 2009, ficou estabelecido por lei que todos os ônibus zero km são obrigados a ter equipamentos ou configuração com acessibilidade, exigência que, de acordo com a Associação das Empresas do Transporte Coletivo Urbano de Bauru (Transurb), aumenta em R$ 7,5 mil o valor final de cada veículo.
Radares
Entre todos os aparatos tecnológicos que a cidade dispõe atualmente, o mais moderno é também o que mais causa divergência entre os bauruenses: os radares.
Instalados na cidade desde 2000, os aparelhos estão tecnologicamente equipados para não deixar passar ileso quem infringe a lei e transita acima da velocidade máxima permitida. E, com isso, despertam o ódio de alguns e a adoração de outros.
Independente de gostar ou não, os bauruentes têm, de fato, de conviver com seis radares fixos, que podem operar em até 52 faixas, sendo 17 delas simultaneamente; além de um radar móvel e três lombadas eletrônicas.
"Os radares fixos funcionam com um campo magnético, que mede, em um curto espaço, a velocidade inicial e final do veículo, e depois calcula a média. Já o radar móvel, que antes calculava a velocidade por onda sonora, agora conta com uma tecnologia de raio laser, que capta a velocidade assim que o raio reflete no veículo", explica Gustavo Cardoso, gerente técnico de infrações da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb).
Outro avanço alcançado pelo segmento nesses dez anos de operação está relacionado à transmissão de dados, que antes era manual e, atualmente, é feita on-line, com imagens criptografadas.
Para isso, os cofres públicos desembolsam mensalmente R$ 7 mil para cada lombada eletrônica, R$ 26 mil para cada radar fixo e R$ 2.600,00 para o radar fixo, sendo que estes valores incluem a instalação, infraestrutura, manutenção e operação. Juntos, os radares registram, em média, 3.500 infrações por mês.
Embora sejam os equipamentos mais modernos para registrar excesso de velocidade, já existem outros tão modernos quanto para registrar outros tipos de infração que ainda não operam em Bauru.
"Recentemente, testamos um aparelho chamado OCR, que pode ser usado de forma móvel ou fixa e tem a função de ler placas dos veículos e identificar se existem irregularidades, como atrasos em IPVA, multas e até mesmo se ele é produto de furto. Este aparelho ainda não existe em Bauru, mas em breve estaremos adquirindo", informa Gustavo.
Moderno, mas nem tanto
Pintura viária
Basta colocar as latas de tinta no compartimento, pilotar a máquina e pronto. Em pouco tempo, uma grande extensão de asfalto estará devidamente demarcada com os sinais fundamentais ao trânsito, como o de faixa contínua ou tracejada, por exemplo.
"Se o mesmo serviço fosse feito de forma manual, tudo seria mais complicado. Os homens teriam de medir, demarcar e somente depois pintar. O serviço que a máquina faz em um dia, com perfeição e utilizando apenas quatro trabalhadores, se fosse feito de forma braçal, levaríamos três dias e seria necessário o dobro de funcionários", calcula Baltazar Lopes, chefe dos serviços de operação viária da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb).
A máquina de pintura de vias automáticas chegou a Bauru em 1996 e, mesmo apresentando tantos benefícios, já pode ser considerada um equipamento antigo. Isso porque está defasada em muitos aspectos, como na pintura de faixas e letreiros nas ruas, por exemplo.
"É que esta máquina não possui o revólver de tinta manual, o que impede a agilização neste tipo de serviço, que, atualmente, é feito à mão", justifica Baltazar.
De acordo com ele, a aquisição de um novo equipamento já foi solicitada e está em análise. O investimento em uma máquina nova gira em torno de R$ 150 mil.
Limpeza
Pá, vassoura e cesto de lixo. Estes são os instrumentos utilizados pela equipe de varrição da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano de Rural de Bauru (Emdurb) para limpar as ruas da cidade.
Presentes no cenário bauruense desde a fundação da cidade, em 1896, o trio de equipamentos passa longe de figurarem na lista de itens modernos e ultratecnológicos existentes no município. Pelo contrário: podem ser considerados os instrumentos mais arcaicos ainda em atividade em Bauru.
Atualmente, 28 funcionárias da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru fazem a varrição da cidade. Juntas, elas têm a missão de, diariamente, limpar o quadrilátero compreendido entre as vias Rodrigues Alves, Duque de Caxias, Julio Prestes e Pedro de Toledo.
Por dia, elas recolhem, em média, duas toneladas de lixo e utilizam de 200 a 230 sacos plásticos com capacidade para 100 litros de lixo. Já o instrumento principal, as vassouras, precisam ser trocadas a cada dois meses.
Mas se engana quem pensa que, embora arcaicos, o trio composto pela pá, vassoura e saco de lixo é a única alternativa existente para a varrição da cidade. Isso porque já existem as varredoras mecânicas, equipamentos dotados de vassouras centrais e laterais que coletam todo tipo de resíduos nas ruas e calçadas e, de quebra, amenizam a poeira ao aspergir água na superfície.
As modernas máquinas, que ainda não existem em Bauru, custam em torno de R$ 110 mil, valor que varia de acordo com a marca e o modelo e, segundo informações das fabricantes, podem realizar o trabalho de até 65 varredores com carrinho.
Entre os principais benefícios do equipamento, está a agilidade e a qualidade do serviço. Porém, de acordo com Ewerton Mussi Hunzicker, diretor de limpeza pública da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), as varredoras mecânicas não atendem às necessidades de Bauru.
"É um equipamento grande, que, para funcionar, requer espaço. Não dá para operar com esta máquina no Centro, por exemplo, onde existe trânsito intenso de pessoas. Neste caso, a varrição manual ainda é a melhor alternativa", avalia, descartando a possibilidade de realizar a varrição mecânica no período noturno.
Orelhão
Filas para usar orelhões. A cena, comum até pouco mais de dez anos, é rara atualmente. Não que as pessoas não tenham mais a necessidade de utilizar o telefone quando estão fora de casa. Pelo contrário, a necessidade permaneceu e, talvez, com o crescimento da cidade, tenha se tornado ainda maior. Porém, com o advento da tecnologia, o celular passou a ser o recurso mais utilizado nesses casos.
Segundo informações da Telefônica, atualmente, 2.582 orelhões estão espalhados pelos diversos bairros de Bauru, resistindo bravamente aos seus rivais móveis.
E, para não cometer a injustiça e dizer que os enormes aparelhos ficaram parados no tempo, vale ressaltar que eles também se modernizaram. Isto porque, até 1992 funcionavam à base de fichas e, naquele ano, passaram a funcionar com cartões magnéticos. Além disso, em 1997, os aparelhos, que antes só faziam chamadas, passaram a receber também.
Além do surgimento e popularização do celular, outros motivos como a depredação por vândalos e a dificuldade de localização fizeram o orelhão cair em desuso. Porém, ainda hoje o aparelho é alternativa para quem deseja efetuar chamadas, já que as ligações são mais baratas que as de celular.
Coleta de lixo
Desce do caminhão, pega saco de lixo nas calçadas, joga dentro do veículo e sobe de volta no caminhão. Esta é a rotina dos 132 homens que trabalham na Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) como coletores de lixo.
E, se a primeira descrição já parece algo um tanto cansativo, agora calcule que este procedimento é repetido inúmeras vezes, por um percurso médio de 35 quilômetros, e que cada coletor chega a carregar cerca de três toneladas e meia de lixo por dia. Some também, ao trabalho e ao desgaste, os riscos de acidentes como atropelamentos, ataques de cães, agulhas usadas e garrafas quebradas.
Com base nestes dados, não fica difícil constatar que, embora os caminhões de coleta de lixo sejam instrumentos modernos, equipados com compactadores, o procedimento de coleta ainda é arcaico.
De acordo com Ewerton Mussi Hunzicker, diretor de limpeza pública da Emdurb, a autarquia já estuda modernizar o sistema de coleta. Porém, o alto custo do investimento é o principal empecilho.
"A ideia era disponibilizar em cada quadra um container para alocar o lixo. Dessa forma, os caminhões apenas esvaziariam o container com um basculante e fariam o transporte até o aterro. O problema é o alto custo. No Centro, por exemplo, seriam necessários 56 containers e cada um custa cerca de R$ 900,00", explica Ewerton.