Economia & Negócios

Venda de veículos cresce em dezembro e preços devem cair

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 5 min

Nem mesmo as medidas de restrição ao crédito tomadas pelo Banco Central (BC) no final do ano passado foram capazes de reduzir as vendas de veículos em Bauru. Acompanhando uma tendência nacional, o emplacamento de automóveis na cidade cresceu 11% em dezembro, em relação ao mesmo período do ano passado, segundo dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave).

Na tentativa de fazer com que o mercado permaneça aquecido em 2011, as concessionárias já começaram a reduzir preços. Em alguns estabelecimentos já é possível encontrar veículos pelo mesmo valor comercializado em março, último mês de vigência da redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). Se a guerra da concorrência realmente se efetivar por conta da restrição imposta pelo BC, o maior beneficiado será o consumidor .

Mesmo com a mudança que criou regras mais rígidas para o financiamento de veículos, implantada em 6 de dezembro, foram comercializados 1.517 veículos em Bauru no mês passado, ante os 1.367 emplacados no mesmo período de 2009. No acumulado de todo 2010, o volume que saiu das concessionárias se manteve estável, com total de 15.114 unidades vendidas, frente as 15.120 negociadas no ano passado. Vale lembrar, entretanto, que a redução da alíquota do IPI vigorou em todo o ano de 2009, mas apenas nos três primeiros meses do ano passado.

"Na verdade, os números de dezembro refletem os resultados que já vínhamos tendo ao longo de todo o ano. Como as concessionárias estavam capitalizadas, tinham sempre estoque para pronta-entrega. Este é um aspecto que também impulsiona as vendas, principalmente no último mês do ano, que é de maior consumo", analisa André Arruda, gerente de vendas de uma revendedoras da cidade. Entre outros motivos apontados para explicar o aumento estão, ainda, as facilidades de compra proporcionadas pelas concessionárias e o poder de consumo crescente da população.

Mais baratos


E para que as vendas não percam fôlego neste ano, os estabelecimentos já estão planejando reduzir os preços dos automóveis, como medida para amenizar os custos ao consumidor que não tiver condições de dar uma entrada maior pelo veículo, já que ele terá de pagar juros mais altos por isso, conforme estabeleceu o Banco Central. "Na verdade, alguns modelos já estão mais baratos do que a época em que havia redução do IPI. Pela concorrência, as margens de lucro estão sendo reduzidas como forma de manter o volume de vendas. E quem se beneficia com isso é o consumidor", considera Jorge Simão Neto, diretor de outra concessionária da cidade.

Segundo ele, as taxas de juros para quem se enquadrar nas exigências do Banco Central variam, dependendo do valor da entrada e do prazo de financiamento, entre 1,3% e 1,9%, índice que ele considera ser "bastante atrativo". Para quem não conseguir pagar uma porcentagem de entrada maior, há ainda a esperança de que as montadoras absorvam a diferença de preço resultante da aplicação de juros mais altos determinada pelo BC.

"E, em muitos casos, as montadoras já estão subsidiando essas taxas, mesmo para quem se encaixa nas exigências do Banco Central. Três modelos da nossa loja estão com taxa zero, por exemplo, para quem dá entrada de 50% e financia em 24 meses. Quem der 30% em 60 meses também vai pagar uma taxa muito abaixo do valor que deveria ser", detalha Simão Junior.

Restrições do Banco Central

As medidas restritivas impostas pelo Banco Central desde 6 de dezembro do ano passado para financiamento de veículos tem como objetivo restabelecer os níveis de crédito registrados em 2008, antes da crise financeira mundial. Com isso, espera-se colaborar para desaceleração da economia e evitar o aumento da inflação, que chegou a ameaçar o País em 2010.

Pelas novas regras, a reserva de capital que cada banco terá de manter em determinadas operações de crédito passou de R$ 11,00 para R$ 16,50 em cada R$ 100,00 emprestados. Na prática, esta mudança irá tornar as taxas de juros mais altas para os consumidores não quiserem se submeter às exigências impostas pelo Banco Central.

Elas variam conforme o prazo do financiamento e o valor da entrada do automóvel. Nos financiamentos de 24 a 36 meses, o consumidor terá de pagar pelo menos 20% da entrada para não cair na restrição. Se a venda tiver prazo de 36 a 48 meses, a entrada mínima será de 30%. De 48 a 60 meses, a proporção aumenta para 40%. Para empréstimos de mais de 60 meses, a restrição será aplicada independentemente da entrada.


Projeção de novo crescimento

Por conta da estratégia que deverá ser adotada pelas concessionárias da cidade, a expectativa é de que a comercialização de veículos registrem novo crescimento em 2011. Empresários e especialistas na área consultados pela reportagem projetam que as vendas aumentem entre 6% e 10% em comparação ao ano passado.

Além da redução de preços e dos subsídios que deverão ser oferecidos pelas montadoras, o desenvolvimento da cidade como um todo, no último ano, também deverá funcionar como um catalisador dos negócios, segundo avaliam pessoas ligadas ao setor.

Em 2010, a cidade recebeu investimentos maciços da iniciativa privada, com o lançamento ou inauguração de grandes empreendimentos, como dois shoppings e dois hipermercados. Por conta do fortalecimento da cidade como polo regional, espera-se um aumento considerável no consumo, principalmente por parte de pessoas vindas de municípios vizinhos.

"O que esperamos é um crescimento de 10% em relação a 2010, ou seja, um crescimento semelhante ao que tivemos em 2009. A ideia do Banco Central, com as restrições impostas, é desacelerar o crescimento da economia e acredito que seja isso que irá acontecer. Continuaremos crescendo no mesmo patamar do ano passado", detalha Tuta.

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