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Em show curto, Amy não empolga plateia e se despede do Brasil

André Barcinski
| Tempo de leitura: 3 min
São Paulo - Chamar o show de ontem de Amy Winehouse de "burocrático" é um insulto à burocracia. Já vi filas de cartório mais animadas que a apresentação da moça. Foram exatos 72 minutos de show. Descontadas as vezes em que ela saiu do palco, o intervalo antes do bis e uma torturante sequência de solos dos músicos, Amy não deve ter cantado por mais de 55 minutos. Além de curto, o show foi muito ruim. A banda era uma lástima, e a voz de Amy, um fiapo. Na verdade, Amy deu azar: puseram uma cantora de verdade antes dela, Janelle Monáe, e a comparação entre as duas foi brutal. Enquanto Janelle e banda fizeram um show cheio de energia e emoção, Amy pôs o povo para dormir em pé com uma apresentação desleixada. E desafinou pacas. Quem foi à Arena Anhembi esperando ouvir o gogó potente e sexy dos discos saiu com uma certeza: os produtores Salaam Remi e Mark Ronson fizeram milagres com a moça. Amy foi um show de horror: além de desafinar, esqueceu letras, atropelou a métrica e errou o tempo de várias canções, tudo isso enquanto ostentava uma tromba daquelas. Parecia que ela estava fazendo um favor à plateia. A diva só falou com o público duas ou três vezes, e mesmo assim para apresentar a banda ou anunciar um vocalista de apoio que cantou duas músicas enquanto ela sumia do palco. Winehouse abriu o show com três de seus maiores hits, "Just Friends??, "Back to Black?? e "Tears Dry On Their Own??, e já deu para perceber que alguma coisa não ia bem: ela virou-se várias vezes para os músicos e parecia estar reclamando do som. Mas o problema não era o som, claro. No final de "Boulevard of Broken Dreams", a casa caiu: Amy deu uma desafinada tão medonha que matou vários pombos que sobrevoavam o Campo de Bagatelle. Na área em frente ao palco, o tal espaço VIP, a desanimação era evidente. Os fãs vibravam mais com os goles que Amy dava em um copo do que com a música. Lá pela quinta ou sexta canção, já havia uma movimentação grande de bem-nascidos se dirigindo à área Mega Ultra Top Vip Special (o nome não era exatamente esse, mas era parecido), onde rolava uma festinha. Enchendo Linguiça Enquanto isso, Amy e os músicos continuavam no piloto automático, contando os minutos para aquilo acabar. E a banda dela? O que era aquilo? Será que uma banda tão ruim já tocou para tanta gente? Para encher um pouco mais de linguiça, Amy apresentou os músicos, e cada um fez um solo. Foi uma demonstração tão constrangedora de falta de talento que, no meio do solo de bateria, a própria Amy sentou no palco. Depois de 60 minutos de show, a cantora se despediu. Mas voltou para o bis, a tempo de errar a letra de "You Know I?m No Good??, antes de encerrar com "Me and Mrs. Jones". Chequinho na mão e bye bye, Brasil!

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