A destruição causada pelas chuvas na região serrana do Rio mexeu com o nosso País. A dor dos muitos moradores que perderam seus entes queridos, seus pertences, tocou no coração de muitas pessoas. Nesse momento, mais do que encontrar culpados ou explicações, faz-se necessário agir, fazer algo, comprometer-se. Diante deste apelo produzido naturalmente pelas próprias imagens da tragédia, foi impressionante a resposta dos brasileiros de norte a sul do país. Foram enviadas já para região serrana do Rio toneladas de alimentos, água, roupas, medicamentos. Isso provoca em nós um grande sentimento de orgulho e gratidão. Orgulho, pelo fato de nosso povo ser generoso. Gratidão, porque todos nos sentimos também familiares , irmãos dos que estão sendo ajudados. Podemos dizer que, diante de nossos olhos, a solidariedade está bem viva. Ser solidário é antes de tudo estar em comunhão com o outro que experimenta uma situação de fragilidade ou de dor. A solidariedade brotou em nossos corações e nos levou a um comprometimento. Ela transformou-se em caridade, em amor concreto para com os nossos irmãos e irmãs. É esta mesma solidariedade que deve fazer, neste momento, que tanto sofrimento não seja esquecido, principalmente pelas autoridades que podem de algum modo, tomar providências para que outras chuvas e enchentes não causem tamanha dor. É o que esperamos dessa gente, mas, infelizmente, nessas ocasiões, esses irresponsáveis se omitem, não tendo moral, nem credibilidade de pelo menos levar uma palavra de consolo e esperança a estas criaturas tão sofridas. Presentes só se fazem, quando em campanhas eleitorais com aquelas absurdas promessas nunca cumpridas, ou , em Brasília, para votar vergonhosamente num aumento salarial injusto e desonesto. Ainda bem que a solidariedade entre nós, cidadãos conscientes e probos, existe; não podemos permitir que ela morra. (O autor, Gino Crês, é professor e colaborador de Opinião)
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