Cultura

Má condição do teatro entra em cena

Karla Beraldo
| Tempo de leitura: 3 min


Nem a comédia "O que aconteceu com Peter Palmer?", de Emílio Boechat, nem a versão clássica do mito sobre a Antígona, do dramaturgo grego Sófocles. Quem roubou a cena no primeiro dia da Mostra de Teatro Paulo Neves, iniciada nesta segunda-feira, foi uma protagonista conhecida dos frequentadores do Teatro Municipal: as más condições do local.

Por conta da ausência de refrigeração - o ar condicionado está quebrado desde novembro, quando o teatro foi inundado pelas fortes chuvas -, o calor era tão intenso que uma atriz saiu do palco passando mal e a primeira apresentação foi cancelada. A segunda peça programada para a mesma noite, "Antígona", teve de ser encenada com as portas abertas.

Quem estava na plateia também sentiu na pele o calorão. "Suamos um bocado, mas resistimos e aplaudimos tudo ao final", escreveu Henrique Perazzi, em comentário sobre o incidente, publicado no blog mafuadohpa.blogspot.com. "Estava muito calor, a atriz passou mal e não teve condições de voltar. Subi no palco e expliquei os motivos que não são nenhuma novidade para ninguém: falta um projeto cultural, melhorar as instalações que realmente são precárias, não tem nenhum recurso lá dentro", desabafa Paulo Neves.

Segundo o diretor, metade dos equipamentos de iluminação, por exemplo, tiveram de ser alugados por ele. "Fora isso tem a sujeira. Se você sentir vontade de ir ao banheiro você não vai, porque aquilo é uma brincadeira. As instalações são absurdas, existe um mar de problemas", enumera sobre a falta de estrutura do local.

Procurada pela reportagem, a secretária municipal de Cultura, Janira Bastos, não quis conceder entrevista. Via assessoria de imprensa, a Secretaria de Cultura (SMC) afirmou que Paulo Neves estava ciente das condições do teatro. "Tentamos remarcar o evento quando o teatro estivesse com a reforma pronta, mas ele não quis", justifica a assessora Israeli Ferreira.

Apresentações


Apesar do cancelamento da Mostra de Teatro ter sido anunciado pela secretária Janira Bastos, na manhã de ontem, as apresentações foram mantidas e seguem até domingo. A situação foi contornada depois que Paulo Neves foi ao gabinete. Contatado, o prefeito Rodrigo Agostinho mandou que o equipamento fosse colocado em funcionamento, embora de forma parcial.

"Acabei intervindo na tentativa de garantir a realização das peças. Os atores, a maioria jovens, precisam de estímulo para continuar na área e, em respeito a todo trabalho do Paulo Neves, eu pedi que tentassem fazer o aparelho funcionar. Mas isso não quer dizer que ele estará a pleno vapor, como deveria funcionar, foi mais para que pudéssemos terminar o festival", afirma.

Agostinho explica que o sistema de refrigeração do teatro fica abaixo do nível da rua e, em função disso, foi danificado pela água que inundou o local no final do ano passado. "As pessoas ouvem ar-condicionado é pensam que é um aparelhinho. Na verdade, o equipamento ocupa toda uma sala, funciona a base de óleo e é bastante obsoleto".

Em dezembro, após o estrago do ar-condicionado, o festival do Ballet Vitória Régia foi cancelado e as mostras de dança das escolas Corpo Livre e Sigma foram realizadas na base de ventiladores.

Segundo o prefeito, o reparo do equipamento está orçado em R$ 25 mil e a licitação aberta está em fase de contratação. "O problema é que é um equipamento dos anos 90, todo ano tem dado problema, apesar das manutenções. Uma alternativa que estudamos é a compra de um equipamento novo", anuncia.

Hoje, a Mostra de Teatro segue com as apresentações dos espetáculos "Cupido Stanislavsky" e "E sua família vai bem?", às 19h e às 21h, respectivamente.

"O que aconteceu com Peter Palmer?", interrompida na segunda-feira, terá nova sessão no domingo, às 19h .

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