Economia & Negócios

Universitários já estão à caça de casas

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 4 min


Assim que as listas de aprovados nas universidades de Bauru começam a ser divulgadas, as imobiliárias da cidade ganham um novo motivo para comemorar. Nos três primeiros meses do ano, quando os estudantes vindos de outras cidades chegam à procura de imóveis para locação, o setor passa a viver seu grande momento. Nesta época, em muitos casos, a concretização de negócios chega a dobrar em comparação a períodos considerados normais.

De acordo com imobiliárias consultadas pela reportagem, os estudantes representam mais da metade dos inquilinos e são um grande nicho de mercado para estes estabelecimentos, já que Bauru abriga mais de 10 instituições de ensino superior, compostas, em sua maioria, por alunos sem vínculos familiares com a cidade. "Na verdade, a movimentação começa no final de dezembro, mas em janeiro a procura se torna muito aquecida. Em relação a novembro, que é um mês fraco, o aumento chega a 100%", comenta Danielle Mastroianni, corretora de imóveis de locação de uma imobiliária da cidade.

A partir de dezembro, a assinatura de contratos de locação segue até março, época que coincide com a confirmação de matrículas nas universidades. Neste ano, estima-se que cerca de 5 mil novos alunos sejam incluídos nas salas de aula das faculdades bauruenses.

"Muitos já estão nos procurando, mas os negócios costumam ser fechados na última hora, mesmo. É uma característica que perdura", acrescenta a gerente de locação de outro estabelecimento imobiliário de Bauru, Suzana de Abreu Laureano.

Como forma de atrair esse público, via de regra pouco inadimplente, as imobiliárias investem em publicidade em jornais, dentro das universidades e também na Internet. Os proprietários de imóveis, por sua vez, também procuram efetuar pequenas melhorias em apartamentos e residências para fazer frente à concorrência.

De acordo com o diretor regional do Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci), Carlos Eduardo Muniz Cândia, em função do crescimento do número de alunos, a construção de novos imóveis para serem ocupados por estudantes não para de crescer. Mesmo assim, as imobiliárias continuam operando com folga mínima diante da demanda.

"Entre os imóveis mais visados ainda estão os apartamentos de um ou dois quartos, mas as grandes casas que servem como república também estão voltando a ser procuradas, principalmente por estudantes veteranos que já estabeleceram laços de amizade na cidade", analisa. Segundo ele, dividindo um imóvel maior com mais colegas, os universitários conseguem economizar no aluguel. "O alto valor da locação de apartamentos na cidade ainda inibe uma fatia do público", acrescenta o diretor.

Reacomodação

Os universitários interessados em alugar imóvel perto das universidades podem preparar o bolso. Para se ter uma ideia, o aluguel de um apartamento de um ou dois quartos nas imediações da avenida Nações Unidas, por exemplo, custa em torno de R$ 350,00, mais o valor do condomínio.

Em áreas próximas ao Bauru Shopping e imediações de universidades, pode alcançar valores de até R$ 800,00, sem contar a mensalidade condominial. "Quando optam por repúblicas, o aluguel de uma casa ampla gira em torno de R$ 2 mil. Mas, neste caso, o montante é dividido entre cinco ou seis pessoas", pontua a corretora Danielle Mastroianni.

Embora o aluguel seja mais caro na região das universidades e vias de acesso, segundo as imobiliárias, imóveis nestas áreas costumam ser sempre ocupados por conta da comodidade e economia proporcionada pela proximidade com toda infraestrutura de serviços. "Um imóvel ao lado de uma instituição pode custar até 40% mais em relação a unidades mais distantes. Mas ainda sim eles continuam sendo locados", pontua o diretor regional do Creci.

Conforme Carlos Eduardo Cândia, além de ser impulsionado pela chegada dos calouros, o setor imobiliário também é movimentado pela reacomodação dos universitários veteranos, que acontece entre dezembro e janeiro. "Geralmente, num primeiro momento, o calouro opta por morar sozinho. Depois, muda-se para um apartamento de dois quartos para dividir com um colega ou para uma república maior", comenta.

"Inadimplência quase zero"

Filhos de pais geralmente bem estabelecidos financeiramente, os estudantes universitários que vem de outras cidades para morar e estudar em Bauru costumam ser ótimos pagadores. Conforme lembra a gerente de locação Suzana de Abreu Laureano, o índice de inadimplência deste público costuma ser baixíssimo, quase zero, mas há quem se recuse a alugar imóveis para serem transformados em repúblicas.

"Nos últimos três anos, muitos condomínios proibiram a locação para mais de um estudante por apartamento. O grande problema é o receio que se tem quanto à bagunça, ainda que a maioria dos universitários não tenham dado problemas", analisa. Segundo Suzana, a depreciação do imóvel não constitui um problema, já que eventuais reformas após o encerramento do contrato são previstas antecipadamente.

Por conta dos transtornos já registrados, ainda que pontuais, grande parte dos condomínios possuem cláusulas no regimento interno que proíbem a formação de repúblicas, condição que, em certa medida, reduziu a oferta de apartamentos para este público na cidade. "Por outro lado, temos prédios construídos especificamente para este público. Mas, mesmo assim, no ano passado só não alugamos mais porque faltou imóvel. Neste ano, com a construção de vários prédios novos, nossa expectativa é que a oferta seja mais adequada", observa.

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