Porto Príncipe - Se já não bastasse a indefinição política, o Haiti enfrenta uma epidemia do cólera que já matou quatro mil pessoas. O saneamento básico também é precário e com o terremoto do ano passado a infraestrutura de Porto Príncipe piorou. Nas últimas semanas houve queda no número de casos, mas com chegada da temporada de chuvas devem ser diagnosticados novos casos, preveem as autoridades de saúde. O embaixador brasileiro no Haiti, Igor Kipman, reconhece que mudou pouco até agora o saneamento básico. "Nos acampamentos e abrigos provisórios até houve melhora, porque as pessoas dispõem de água potável coisa que não tinham antes do terremoto quando residiam em suas casas, mas na cidade em geral não melhoraram as condições de saneamento". O Brasil tem ajudado o país na área de Saúde. No ano passado, na gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva foram destinados R$ 135 milhões e assinado acordo com o governo cubano para auxiliar com sua brigada de médicos. "Também investiríamos na construção de postos de saúde, porém em outubro do ano passado com a epidemia do cólera parte desse dinheiro teve que ser destinado para combater o cólera", afirma. Os 2.200 soldados brasileiros, que integram a tropa de paz da ONU, nenhum contraiu cólera, segundo o comando do exército. Na entrada dos quartéis há álcool gel para passar nas mãos e um tapete embebido com cloro para lavar a sola do sapato. Os soldados nepaleses foram acusados de levar a doença para o Haiti. A tropa de paz da ONU é formada por militares de várias nacionalidades. Kipman afirma que isso não procede. "Nenhum nepalese estava (com cólera) ou ficou doente. Foram feitos exames laboratoriais e clínicos exaustivos que não comprovaram. Apesar disso, devido à repercussão na imprensa, o secretário geral da ONU montou um painel independente para identificar a origem da epidemia", declarou o embaixador. Houve manifestações de haitianos contra os soldados nepaleses. "Outra parte da população acha que foram os voduístas. Já mataram 40 monges voduístas acusados de disseminar o cólera", contou o embaixador. A doença é relativamente fácil de se tratar, caso seja descoberta a tempo, mas em condições precárias pode levar à morte. O desafio é melhorar as condições de saneamento, porque o esgoto ainda é lançado na rua.
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