Tribuna do Leitor

CULTURA BAURUENSE - A TRAGÉDIA ANUNCIADA


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A cultura não pode sobreviver isolada e voltada sobre um único umbigo com seus títulos acadêmicos. Diante de tantos fatos, de tantos entra-e-sai, de tantos mandos e desmandos, é certo que muitas questões mereceriam uma abordagem mais crítica. Onde estão os recursos destinados à cultura? Estão fiscalizando a política, definindo, juntamente com os agentes culturais, formas de fiscalização de modo que tanto a liberação dos recursos quanto o seu uso cumpram com os princípios dos projetos e da própria política cultural, garantindo a transparência do processo? Estão definindo critérios e processos avaliativos para as licitações aprovadas com o objetivo de garantir qualidade àquilo que é levado ao público? A pasta da cultura poderia diversificar e não priorizar somente um setor ou gênero, mas garantir que os recursos e instrumentos definidos pela política contemplem todo o espectro da produção local. Todos os que se preocupam e trabalham na gestão cultural sabem muito bem que as coisas não são uma maravilha, e que muitos “Administradores Públicos” ainda acreditam que intervir na cultura é uma espécie de “ação entre amigos”, que trabalhar com cultura é levar os grupos que representam para uma espécie de clínica estética para ornamentar o patetismo de suas convicções. São estes que insistem em pensar querer confundir a classe cultural, exclusivamente, com as eternas promessas eleitoreiras; para estes, intervir no crescimento da classe artística é montar um enorme palco em praça pública e não oferecer uma programação digna e nem qualidade técnica para o evento. Observando o mundo além das aparências, vemos opressores e oprimidos em todas as sociedades, etnias, gêneros, classes e castas, vemos o mundo injusto e cruel. Temos a obrigação de inventar outro mundo porque sabemos que outro mundo é possível, mas cabe a nós construí-lo. Com nossas mãos procuramos manter a coerência, pois o mais importante é contribuir para um debate tão necessário para a valorização da cultura e sua conseqüente transformação em instrumento de elevação da auto-estima e da criatividade da sociedade bauruense. É fundamental que todos os envolvidos na gestão da cultura saibam que ela é a mais alta expressão dos nossos valores e da nossa história, por isso deve ser encarada como necessidade básica da cidadania. Saber conduzir o processo de elaboração de uma política pública de forma organizada e norteada por princípios claramente definidos é condição necessária para se tratar a cultura como ela merece. O presente artigo é um instrumento de reflexão diante da necessidade de valorização da nossa cultura. Que possa contribuir pelo menos com a polêmica, pois é dela que se alimentam aqueles cuja pretensão é tornar os produtos da nossa rica cultura elementos familiares e constantemente presentes no nosso cotidiano. (Kyn Junior - produtor executivo, publicitário e bauruense)

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