Cairo - O ditador egípcio, Hosni Mubarak, disse ontem em entrevista à rede ABC que quer deixar o poder, mas que teme o "caos" que pode ocorrer caso ele saia imediatamente. Em entrevista de cerca de 20 minutos à repórter da ABC Christiane Amanpour, ele afirmou que "está cansado de ser dirigente" e gostaria de deixar o poder mas não pode, "por temer que o país afunde no caos"."Não me importo com o que as pessoas dizem de mim. Agora eu estou preocupado com o meu país, me importo com o Egito", disse Mubarak, enquanto violentos protestos contra ele chegam ao décimo dia seguido."Estou muito triste com (o que aconteceu) ontem. Não quero ver os egípcios lutando entre si", afirmou ele.
Mortos
Os confrontos entre opositores e simpatizantes de Mubarak deixaram ao menos oito mortos ontem na praça Tahrir, palco principal dos distúrbios no Cairo, informaram fontes dos serviços de segurança. Com isso, o número de mortes nos confrontos sobe para 13 em apenas dois dias, além de mais de 1.500 feridos. Desde o início da onda de violência no país, há dez dias, estima-se que mais de cem pessoas tenham morrido, mas não há uma cifra oficial das vítimas.
Obama
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, aproveitou ontem o tradicional Café da Manhã Nacional de Oração para lembrar os distúrbios ocorridos no Egito, e disse que "ora" pelo fim da violência no país."Rezo para que a violência no Egito termine e surja um novo amanhecer", afirmou Obama durante o evento ontem.
Não será candidato
O vice-presidente egípcio, Omar Suleiman, disse ontem que nem o ditador Hosni Mubarak nem seu filho, Gamal - que era visto como possível sucessor do pai - se candidatarão nas eleições presidenciais marcadas para setembro, informou a TV estatal. No pronunciamento, ele também prometeu punir todos os responsáveis pelos episódios de violência que assolam o país, e pediu a soltura dos jovens detidos nos protestos antigoverno que não estejam envolvidos nos incidentes violentos.____________________ Prisão de jornalistas brasileiros
Cairo - Enviados para o Egito para a cobertura da crise no país, o jornalista Corban Costa, da Rádio Nacional, e o repórter cinematográfico Gilvan Rocha, da TV Brasil, foram detidos, vendados e tiveram passaportes e equipamentos apreendidos. As informações são da Agência Brasil. Desde a noite de anteontem até a manhã de ontem, Corban e Gilvan ficaram sem água, presos em uma sala sem janelas e com apenas duas cadeiras e uma mesa, em uma delegacia do Cairo. Segundo o enviado especial do jornal Folha de S. Paulo ao Cairo, Samy Adghirni, os conflitos entre manifestantes pró e contra o ditador Hosni Mubarak chegaram à porta do hotel Hilton, onde havia jornalistas estrangeiros hospedados. Ouça o relato: "É uma sensação horrível. Não se sabe o que vai acontecer. Em um primeiro momento, achei que seríamos fuzilados porque nos colocaram de frente para um paredão, mas, graças a Deus, isso não aconteceu", afirmou Corban, que volta amanhã com Gilvan para o Brasil. Para serem liberados, os repórteres foram obrigados a assinar um depoimento em árabe, no qual, segundo a tradução do policial, ambos confirmavam a disposição de deixar imediatamente o Egito rumo ao Brasil. "Tivemos que confiar no que ele (o policial) dizia e assinar o documento", contou Corban. Em nota oficial o Itamaraty criticou a detenção dos jornalistas brasileiros Corban Costa, da Rádio Nacional, e Gilvan Rocha, da TV Brasil, e pediu que as autoridades egípcias tomem medidas para garantir as liberdades civis e integridade física da população e dos estrangeiros no país.____________________ Premiê pede desculpas e promete punição por confrontos
Cairo - O premiê do Egito, Ahmed Shafiq, reiterou ontem seu pedido de desculpas pelos confrontos dos últimos dois dias na praça Tahrir, no centro do Cairo, entre manifestantes pró e antigoverno e disse não saber quem está por trás da violência. Em entrevista coletiva a jornalistas, Shafiq afirmou ainda que está disposto a negociar com quer for para encerrar a crise. A entrevista ocorre horas depois de manifestantes pró e antigoverno voltarem a se enfrentar na manhã de ontem, em uma rua próxima à praça Tahrir, no Centro do Cairo, onde horas antes os governistas abriram fogo contra opositores do regime de Hosni Mubarak, no poder há 30 anos. O Exército interveio para conter os manifestantes pró-governo. Militares chegaram a disparar para o alto para dispersar manifestantes."A prioridade é descobrir o que aconteceu ontem (anteontem)", disse Shafiq, que prometeu uma investigação "completa e profunda" sobre os confrontos. "Para saber se foi planejado, acidental, liderado por uma pessoa, um grupo... Lidaremos de acordo com a lei e logo com quem for responsável pelo que aconteceu ontem e que causou este caos". Em uma espécie de mea culpa, Shafiq repetiu inúmeras vezes que o papel do Estado é proteger os egípcios e reiterou que a violência não se repetirá. "O que ocorreu foi uma catástrofe e não se repetirá nunca". Ele disse acreditar que grupos aproveitaram a falta de segurança no local - onde o Exército apenas acompanhou os protestos, sem interagir- para incitar a violência e disse não descartar uma conspiração.
Antiguidades
A diretora-geral da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) pressionou o governo egípcio a proteger as antiguidades do país, tombadas como patrimônio da humanidade, após o Museu do Egito ter sido alvo de coquetéis molotov e múmias serem depredadas. Museus europeus também lançaram alertas.
Mortos
Os confrontos entre opositores e simpatizantes de Mubarak deixaram ao menos oito mortos ontem na praça Tahrir, palco principal dos distúrbios no Cairo, informaram fontes dos serviços de segurança. Com isso, o número de mortes nos confrontos sobe para 13 em apenas dois dias, além de mais de 1.500 feridos. Desde o início da onda de violência no país, há dez dias, estima-se que mais de cem pessoas tenham morrido, mas não há uma cifra oficial das vítimas.
Obama
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, aproveitou ontem o tradicional Café da Manhã Nacional de Oração para lembrar os distúrbios ocorridos no Egito, e disse que "ora" pelo fim da violência no país."Rezo para que a violência no Egito termine e surja um novo amanhecer", afirmou Obama durante o evento ontem.
Não será candidato
O vice-presidente egípcio, Omar Suleiman, disse ontem que nem o ditador Hosni Mubarak nem seu filho, Gamal - que era visto como possível sucessor do pai - se candidatarão nas eleições presidenciais marcadas para setembro, informou a TV estatal. No pronunciamento, ele também prometeu punir todos os responsáveis pelos episódios de violência que assolam o país, e pediu a soltura dos jovens detidos nos protestos antigoverno que não estejam envolvidos nos incidentes violentos.
Cairo - Enviados para o Egito para a cobertura da crise no país, o jornalista Corban Costa, da Rádio Nacional, e o repórter cinematográfico Gilvan Rocha, da TV Brasil, foram detidos, vendados e tiveram passaportes e equipamentos apreendidos. As informações são da Agência Brasil. Desde a noite de anteontem até a manhã de ontem, Corban e Gilvan ficaram sem água, presos em uma sala sem janelas e com apenas duas cadeiras e uma mesa, em uma delegacia do Cairo. Segundo o enviado especial do jornal Folha de S. Paulo ao Cairo, Samy Adghirni, os conflitos entre manifestantes pró e contra o ditador Hosni Mubarak chegaram à porta do hotel Hilton, onde havia jornalistas estrangeiros hospedados. Ouça o relato: "É uma sensação horrível. Não se sabe o que vai acontecer. Em um primeiro momento, achei que seríamos fuzilados porque nos colocaram de frente para um paredão, mas, graças a Deus, isso não aconteceu", afirmou Corban, que volta amanhã com Gilvan para o Brasil. Para serem liberados, os repórteres foram obrigados a assinar um depoimento em árabe, no qual, segundo a tradução do policial, ambos confirmavam a disposição de deixar imediatamente o Egito rumo ao Brasil. "Tivemos que confiar no que ele (o policial) dizia e assinar o documento", contou Corban. Em nota oficial o Itamaraty criticou a detenção dos jornalistas brasileiros Corban Costa, da Rádio Nacional, e Gilvan Rocha, da TV Brasil, e pediu que as autoridades egípcias tomem medidas para garantir as liberdades civis e integridade física da população e dos estrangeiros no país.
Cairo - O premiê do Egito, Ahmed Shafiq, reiterou ontem seu pedido de desculpas pelos confrontos dos últimos dois dias na praça Tahrir, no centro do Cairo, entre manifestantes pró e antigoverno e disse não saber quem está por trás da violência. Em entrevista coletiva a jornalistas, Shafiq afirmou ainda que está disposto a negociar com quer for para encerrar a crise. A entrevista ocorre horas depois de manifestantes pró e antigoverno voltarem a se enfrentar na manhã de ontem, em uma rua próxima à praça Tahrir, no Centro do Cairo, onde horas antes os governistas abriram fogo contra opositores do regime de Hosni Mubarak, no poder há 30 anos. O Exército interveio para conter os manifestantes pró-governo. Militares chegaram a disparar para o alto para dispersar manifestantes."A prioridade é descobrir o que aconteceu ontem (anteontem)", disse Shafiq, que prometeu uma investigação "completa e profunda" sobre os confrontos. "Para saber se foi planejado, acidental, liderado por uma pessoa, um grupo... Lidaremos de acordo com a lei e logo com quem for responsável pelo que aconteceu ontem e que causou este caos". Em uma espécie de mea culpa, Shafiq repetiu inúmeras vezes que o papel do Estado é proteger os egípcios e reiterou que a violência não se repetirá. "O que ocorreu foi uma catástrofe e não se repetirá nunca". Ele disse acreditar que grupos aproveitaram a falta de segurança no local - onde o Exército apenas acompanhou os protestos, sem interagir- para incitar a violência e disse não descartar uma conspiração.
Antiguidades
A diretora-geral da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) pressionou o governo egípcio a proteger as antiguidades do país, tombadas como patrimônio da humanidade, após o Museu do Egito ter sido alvo de coquetéis molotov e múmias serem depredadas. Museus europeus também lançaram alertas.