Política

Ciesp cobra agenda e resultados da prefeitura

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 4 min

Dirigentes do setor produtivo industrial da cidade não está satisfeito com a falta de agilidade da Prefeitura de Bauru na solução de problemas que estão emperrando o desenvolvimento da cidade. Na tarde da segunda-feira, representantes do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) se reuniram com o secretário municipal do Desenvolvimento Econômico, Paulo Ferrari, para discutirem uma agenda de ações para os entraves do setor. A viabilização da Zona de Processamento de Exportação (ZPE) e a regularização dos Distritos Industriais 1 e 2 foram os principais assuntos discutidos.

Domingos Malandrino, diretor do Ciesp, observou que a troca de secretários na pasta colaborou para que alguns assuntos não caminhassem. Nico Mondelli, atual presidente da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) foi o primeiro a comandar a secretaria na gestão do prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB). Ele foi substituído por Richard Vendramini, que também deixou o cargo em outubro do ano passado. Ferrari entrou em seu lugar.

"Não sei se outros setores do governo tiveram tantas trocas de secretários como o Desenvolvimento. Ressalto que não tenho queixa de nenhum dos três, que sempre se colocaram à disposição e foram muito solícitos. Mas, infelizmente as coisas não caminham. O fato da troca prejudica o andamento e os assuntos ficam rodando, sem que haja um norte definitivo", critica o dirigente.

Entre as queixas de Malandrino está a regularização dos Distritos Industriais 1 e 2 de Bauru. O assunto foi debatido na reunião de segunda-feira. Ele lembrou que na sua passagem pela prefeitura - na administração Nilson Costa ? deixou o projeto para o Distrito Industrial 2 preparado, mas não houve sequência na proposta.

O diretor do Ciesp conta que muitos empresários que possuem indústrias na área sofrem com a falta de infraestrutura. "As ruas são de terra, não há galeria. Quando chove, não se consegue entrar na própria empresa. Os empresários evitam receber missões internacionais em sua fábrica. Preferem marcar em restaurantes ou hotéis da cidade para não ter que levar o pessoal para um lugar sem infraestrutura", observa Malandrino.

Ele informa que vai cobrar as soluções discutidas durante a reunião. "Foi criada uma agenda positiva com o secretário de Desenvolvimento e vamos cobrar para para que as coisas ocorram", afirma. "Estamos levando tudo de forma amigável e consensual. Até o descumprimento dos prazos, como o de 60 dias para regularização do Distrito Industrial 2. Caso não seja concretizado, vou exercer meu papel no setor produtivo e exigir respostas", pontua.

Na reunião, também foi discutido o andamento do Selo Verde municipal, um projeto do prefeito lançado na primeira Semana Municipal do Meio Ambiente. "O projeto já está pronto e precisa só começar a auditar as empresas que respondem aos questionários. Pedimos a expansão para o setor do comércio, serviços e até para pessoas físicas. Mas não vai adiante porque não se contrata ninguém para auditar", lamenta Malandrino.

O secretário municipal do Desenvolvimento, Paulo Ferrari, afirma que a prefeitura não está parada. Ele aponta que no início do governo Rodrigo Agostinho a pasta realizou a regularização fundiária do Distrito Industrial 1. Já no Distrito Industrial 2, o problema é maior. De acordo com Ferrari, a prefeitura avaliou que a área destinada para a reserva ambiental da gleba supriria a exigência legal. Porém, a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) não entendeu dessa forma.

Ferrari conta que a ideia da prefeitura era limpar a área restante, porém, a Cetesb pontuou que a lei do Cerrado não permitia isso, uma vez que em alguns pontos a mata está densa. Então, 11 empresas que já tinham área destinada pelo Executivo no Distrito 2 não puderam instalar suas unidades. "Vamos verificar com a Cetesb quais áreas podem ser liberadas na área e vamos destinar esses lotes para algumas empresas. As restantes, tentaremos mudar para outras áreas da cidade", explica. Ele acredita que em 60 dias a prefeitura já tenha conseguido resolver o problema com a Cetesb. Já no Distrito Industrial 3, a pasta busca a regularização fundiária dos lotes. "Estamos fazendo o parcelamento de solo lote a lote, para que cada empresário possa ter o título da sua área. O mais difícil, que é regularizar a gleba, já fizemos. Agora, estudamos contratar uma empresa para realizar a regularização de cada um dos lotes. Até o final do ano, vamos mandar esses títulos para o cartório", calcula.

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