Até o mês passado, Bauru era uma outra cidade, bem diferente daquela que podemos ver hoje. Ir ao supermercado, andar pelas avenidas, tomar uma cerveja com os amigos no final do expediente eram tarefas menos complicadas. Com a volta às aulas dos universitários, os estabelecimentos comerciais e as ruas de Bauru se enchem de gente com rostos desconhecidos que, na maioria dos casos, pisam em Bauru pela primeira vez. São estudantes vindos de todas as partes do Estado e que, assim como eu que um dia também fiz parte desse grupo, se deparam com a dificuldade de encarar o desconhecido. Bauru representa para os novos universitários a liberdade, o direito de ir e vir colocado na prática, longe dos olhares atentos dos pais. A necessidade de se tornar adulto é percebida no decorrer dos dias em que as responsabilidades surgem e exigem dos estudantes ações rápidas. No entanto, a felicidade dos estudantes por ser aprovado em um vestibular e poder finalmente seguir seus próprios passos não atinge aqueles que, de certa forma, se incomodam com os novos vizinhos. Também não é para menos: as festas e as conversas que costumam entrar pela madrugada não agradam quem precisa acordar cedo na manhã seguinte para ir ao trabalho. Talvez o excesso de liberdade possa significar barulho em alguns momentos e disso o bauruense não gosta. Confesso que a vida universitária, sempre agitada, nunca me incomodou, pelo menos durante os 4 anos em que estive na faculdade. Hoje moro em Bauru, tenho uma família e fico nervoso só em saber que a fila do supermercado vai levar no mínimo 15 minutos do meu tempo. Os sambas de roda e a cervejada da república ao lado do prédio em que moro nunca foram problema, pelo contrário, me levavam até a rua para apreciar o amadorismo musical. Como eu disse, me levava, pois hoje não leva mais. Depois de um dia estressante de trabalho, o que quero é chegar em casa e descansar. O som das buzinas no trânsito já é o suficiente, portanto, nada de som alto durante a noite! Definitivamente, estou do outro lado desse conflito bauruense. É fácil perceber que a realidade é enxergada de diferentes formas por diferentes pessoas com diferentes comportamentos. Como dizia um professor, não adianta explicar para alguém que usa óculos verdes que o mundo é azul, será tarefa em vão. Por essa razão todos devem respeitar o momento de cada um. É uma nova vida para os estudantes que contribuem e muito para o crescimento da nossa cidade. A alegria de poder viver em liberdade impede que eles percebam que outras pessoas precisam viver sua vida normalmente. Portanto, só digo paciência! Paciência com os novos moradores de Bauru. Vale a pensa tentar entender que um dia todos foram jovens e que quando puderam exercer a liberdade certamente extrapolaram em alguns pontos. E aos novos universitários digo que Bauru também não é só festa. É a cidade que certamente os acolherá quando terminarem a faculdade e para muitos será o novo lar. Quando isso acontecer, tenham certeza: vão enxergar a vinda dos estudantes de outra forma, é parte do jogo. Por isso reflitam sobre isso.
O autor, Aelton Aquino, é jornalista
O autor, Aelton Aquino, é jornalista