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Família doa córneas de rapaz assassinado no Jardim Vitória

Da Redação
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A família de Everton Francisco da Silva, 21 anos, doou as córneas do jovem como forma de tentar diminuir a tristeza provocada por sua vida interrompida na última sexta-feira à noite. Ele foi assassinado no Jardim Vitória, em Bauru, na rua onde morava, ao que indica pelo seu envolvimento com as drogas. A mãe dele, Idelvas Silva, disse ao JC, como publicado na edição de sábado, que havia perdido o filho para as drogas.

Ela relatou que, desde os 15 anos, ele usava crack e que a família tentou, por várias vezes, libertá-lo do vício. Porém, não conseguiu evitar o final trágico daquela noite. Silva morreu depois de levar um tiro na perna. Ele chegou a ser socorrido pelo Corpo de Bombeiros, mas não resistiu ao ferimento. De acordo os familiares, a bala perfurou uma artéria que fez com que o jovem perdesse muito sangue.

Como Éverton Silva havia manifestado vontade de doar seus órgãos após sua morte, caso fosse possível, a família se empenhou em cumprir o desejo do rapaz e, ao mesmo tempo, ajudar alguém que precisa. "Depois da morte, eu o pai dele conversamos sobre a doação. Queríamos que outras pessoas vissem em vida o que ele acabou não vendo", desabafa a mãe.

Idelvas lamentou a vida que o filho levava e espera que a pessoa que receberá as córneas tenha uma vida mais feliz e saudável, longe das drogas. Familiares conseguiram tratamento para Silva no Centro de Atenção Psicossocial (Caps) no ano passado, mas ele usava crack juntamente com os remédios.

As córneas do jovem foram retiradas no Hospital de Base, no mesmo dia da morte. O receptor do órgão será escolhido de acordo com a fila de espera controlada por uma central de distribuição localizada em São Paulo.

Assim como a família de Éverton Silva optou pela doação de parte dos seus órgãos, outras também respeitam a vontade do familiar morto. Um exemplo disso está no Hospital de Base de Bauru, que coletou, só em janeiro, seis pares de córnea, seis rins e três fígados.

Neste mês, até ontem, somava sete pares de córnea, quatro rins e dois fígados. De acordo com os cálculos do próprio hospital, para cada três casos de morte encefálica, em dois deles a família opta pela doação.

O Hospital Beneficência Portuguesa de Bauru coletou, no ano passado, 12 pares de córneas. Já neste ano, abriu protocolo para a doações, mas os doadores acabaram sendo rejeitados em exames clínicos. Uma paciente na UTI sofreu parada cardiorrespiratória durante os exames e foi rejeitado pela equipe de médicos para a retirada dos órgãos, que não teriam condições de serem aproveitados para transplante.

O Hospital da Unimed de Bauru, que se habilitou a coletar órgãos em novembro passado, ainda não registrou nenhuma doação. De acordo com a assistente social da Unimed, Carla Alessandra Mateus, os possíveis doadores pacientes do hospital que surgiram até agora estavam acima da faixa etária permitida legalmente, que é de 79 anos.

Além disso, Carla informou que a equipe responsável pelos procedimentos clínicos está sendo reestruturada para atender as demandas desse ano. Como o JC publicou em janeiro, em uma década as doações de órgãos em todo o Estado de São Paulo triplicaram.

A Secretaria de Estado da Saúde informou que mais da metade dos transplantes feitos no ano passado foi de rins, um total 1.439 transplantes. Ao todo foram feitos 2.328 transplantes em 2010 contra 1.975 em 2009.

Há dois tipos de doadores. O vivo, que pode doar um dos rins ou parte da medula óssea, por exemplo, desde que esteja de acordo com a lei que permite a doação apenas para parentes até o quarto grau ou cônjuges. Vítimas de morte encefálica, em decorrência de acidentes cerebrais, podem ter seus órgãos retirados para doação através de autorização familiar.

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