São Paulo - Cerca de 45% dos desempregados procuram trabalho há mais de seis meses, segundo o estudo “Sistema de Indicadores de Percepção Social - trabalho e renda”, divulgado ontem pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). A pesquisa mostra ainda, entre esses desempregados, cerca de 25% estão há mais de um ano procurando trabalho. O técnico de Planejamento e Pesquisa do instituto, Brunu Amorim, avalia que a situação é preocupante. “Representa risco de uma perda de habilidades e vínculos profissionais. Além disso, observa-se que o desemprego se concentra entre os mais jovens”. O levantamento aponta ainda que o seguro-desemprego é de no máximo cinco meses (e, em média, de quatro meses). “Tal informação corrobora uma lacuna em termos de proteção social, já identificada com base em outras pesquisas”, diz o estudo. Segundo o Ipea, diante da situação, as expectativas salariais são relativamente baixas. Mais de 40% dos entrevistados questionados sobre qual seria a menor remuneração mensal que aceitariam, responderam valor igual ou inferior ao salário mínimo vigente (R$ 510,00), e 73% mencionaram valores até R$ 1 mil. O salário médio dos ocupados da amostra foi de R$ 1.028,13. O estudo revela ainda que a maioria dos trabalhadores informais não recebe um terço de salário nas férias nem décimo terceiro salário, enquanto entre os trabalhadores formalizados mais de 97% recebem seus direitos trabalhistas em dia.“Cerca de 18% dos trabalhadores formais entrevistados afirmaram que o valor de seu salário não está registrado corretamente na carteira de trabalho”, de acordo com o instituto.
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