Internacional

Protestos inspirados no Egito ganham força em todo o Oriente Médio

Folhapress
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Sanaa - Protestos antigoverno inspirados pelas revoltas populares que derrubaram líderes na Tunísia e no Egito estão ganhando força em todo o Oriente Médio e norte da África, a despeito das concessões políticas e econômicas feitas por governos nervosos. Choques foram relatados pela primeira vez na fortemente controlada Líbia, situada entre o Egito e a Tunísia, e novos protestos ocorreram no Barein, Iêmen e Irã ontem. Com jovens podendo assistir pela televisão via satélite ou ver na Internet os levantes pró-democracia em outros países, e podendo comunicar-se com ativistas através de redes sociais que a polícia secreta tem dificuldade em controlar, os governos em toda a região têm motivos para temer o contágio. Centenas de opositores do líder líbio Muammar Gaddafi, no poder há mais de 40 anos, entraram em choque com a polícia e partidários do governo na cidade de Benghazi, no leste do país, durante a noite, disseram uma testemunha e a mídia local. Relatos vindos da cidade portuária, situada mil quilômetros a leste da capital, Trípoli, dizem que manifestantes armados com pedras e bombas incendiárias atearam fogo a veículos e entraram em choque com a polícia, num tumulto raro no país exportador de petróleo. A televisão estatal líbia disse que manifestações foram realizadas pela manhã em todo o país em apoio a Gaddafi, o líder africano que está há mais tempo no poder. O tumulto na segunda maior cidade líbia foi desencadeado pela prisão do ativista dos direitos humanos Fethi Tarbel, que trabalha para libertar presos políticos, disse o jornal Quryna. Em uma possível concessão aos manifestantes, a Líbia iria libertar ontem 110 integrantes da organização militante proibida Grupo de Combate Islâmico Líbio, que estão encarcerados na notória prisão de Abu Salim, em Trípoli, disse outro ativista dos direitos humanos.
Iêmen
Manifestações contra o ditador Ali Abdullah Saleh se espalharam ontem pelo Iêmen, com centenas de pessoas saindo às ruas de Sanaa, Aden e Taiz. Na capital, ao menos 800 opositores marcharam pelas ruas próximas à universidade de Sanaa, apesar dos esforços da polícia para conter os protestos. Três jornalistas, incluindo um fotógrafo da Associated Press e um repórter cinematográfico do canal Al Arabiya foram atingidos por partidários do Congresso Popular Geral (CPG, no poder) durante a repressão à manifestação. Outra mobilização reuniu na capital iemenita centenas de juízes pediam a independência do Judiciário. Os partidários de Saleh - no poder há 32 anos - , armados com cassetetes, facas e pedras, atacaram os estudantes na saída da universidade, quando os jovens pretendiam seguir para o palácio presidencial na praça Sabiine. Os estudantes responderam com pedradas e foram perseguidos no campus, onde a polícia atirou para o alto para dispersar os dois grupos. “Não somos mais fracos que os tunisianos e os egípcios, e nossa situação é pior que a deles”, disse o manifestante Rafea Abdullah, estudante da Universidade de Sanaa, referindo-se às revoltas populares que derrubaram o ditador tunisiano Zine el Abidine Ben Ali e o ditador egípcio Hosni Mubarak.
Barein
No Barein, manifestantes lotaram a capital, Manama, pelo terceiro dia sucessivo para lamentar a morte de um manifestante em choques com as forças de segurança ontem. O emirado, produtor de petróleo, tem um histórico de protestos motivados pelas dificuldades econômicas, a ausência de liberdades políticas e a discriminação sectária dos governantes sunitas contra a maioria xiita.
Argélia
O presidente argelino, Abdelaziz Bouteflika, prometeu revogar em breve o estado de emergência, em vigor há 19 anos, e reduziu o custo dos produtos alimentícios básicos. As autoridades do país, exportador de óleo e gás, colocaram cerca de 30 mil policiais nas ruas de Argel no sábado para impedir uma marcha pró-democracia planejada. Várias centenas de manifestantes desafiaram a proibição, e dezenas deles foram detidos. Os países dotados de grandes recursos petrolíferos e de gás, como Arábia Saudita e Argélia, parecem estar mais bem posicionados que países pobres como Egito e Tunísia para comprar a paz social.
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No Irã, funeral vira palco de conflito entre manifestantes
Teerã - Manifestantes favoráveis e contrários ao governo do Irã voltaram a se enfrentar no funeral de um dos dois mortos durante os protestos da última segunda-feira - os primeiros promovidos por oposicionistas desde a contestada reeleição de Mahmoud Ahmadinejad, em 2009. Segundo a TV estatal iraniana, pessoas que assistiam à cerimônia fúnebre do estudante Sanee Zhaleh, 26 anos, na Universidade de Teerã, entraram em conflito com manifestantes ligados aos “insurgentes”, que teriam sido expulsos do local aos gritos de “morte aos hipócritas”. A participação de Zhaleh nos protestos da segunda-feira é disputada por governo e oposição. Segundo agência oficial, ele era um integrante dos Basij, milícia ligada à Guarda Revolucionária iraniana que teve papel fundamental na repressão às manifestações de dois anos atrás. Sites oposicionistas não negam que o estudante fosse um dos Basij - a milícia tem milhões de membros no país -, mas afirmam que ele participou dos protestos do lado dos reformistas. Estima-se que 1.500 pessoas tenham sido detidas em consequência dos protestos da segunda. O site Kaleme afirma que a faculdade de artes da universidade foi tomada por militantes pró-governo logo pela manhã de ontem, antes do funeral, e que vários manifestantes antirregime foram presos. Para especialistas, a luta de ambos os lados para transformar Zhaleh em mártir reflete uma disputa maior por “crédito” pelas revoltas no Egito e na Tunísia.
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Protesto no Iraque deixa 3 mortos
Kut - Três pessoas morreram e dezenas ficaram feridas na cidade de Kut, no sul do Iraque, ontem, quando manifestantes iraquianos que exigiam melhores serviços básicos entraram em confronto com a polícia e atearam fogo a prédios do governo, disseram fontes de um hospital e da polícia. Cerca de 2 mil pessoas saíram às ruas em Kut, jogando tijolos e pedras contra as forças de segurança iraquianas. Alguns manifestavam seu descontentamento com o primeiro-ministro Nuri al-Maliki, ecoando os protestos anti-governo que abalaram outras regiões do mundo árabe.“Abaixo, abaixo o governo de Maliki. Abaixo, abaixo a corrupção. Abaixo, abaixo os ladrões”, gritava o professor Ali Abdulla, de 36 anos, que liderava um grupo de manifestantes e sangrava na cabeça após um confronto com a polícia.“Pedimos mudança. Não ficaremos mais em silêncio.”

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