Brasília - O debate da reforma política levanta uma desconfiança: no plano nacional, pode se transformar em duro golpe sobre os partidos de oposição. A maioria dos deputados e senadores quer aprovar a alteração da regra que estabelece a fidelidade partidária. A mudança deverá criar uma "janela" para que parlamentares possam trocar de partido seis meses antes da próxima votação. Nesse caso, poderiam mudar de legenda uma vez.
Para PSDB, DEM e PPS, partidos de oposição, a proposta é uma ameaça real. Longe do poder federal desde a posse do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2003, esses partidos se tornarão vulneráveis ao assédio de legendas da base governista, interessadas em engordar seus quadros, caso seja aprovada a brecha na regra da fidelidade partidária.
No novo modelo, o grande mecanismo de atração seria o espaço político que os novos filiados poderiam ocupar na base de apoio da presidente Dilma Rousseff, seja por meio de cargos ou liberação de recursos federais. Na prática, a oposição já tinha se tornado alvo preferencial desse processo de atração de novos parlamentares.