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Distribuição gratuita de remédios começa deficitária em Bauru

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Implantada em todo o território nacional no último dia 14, a distribuição gratuita de medicamentos para diabéticos e hipertensos por meio do programa federal Farmácia Popular ainda é deficitária em Bauru. Os oito tipos de insulina que deveriam ser fornecidos sem custo, por exemplo, estão em falta em pelo menos seis farmácias conveniadas na cidade, conforme constatado na tarde de anteontem pela reportagem do JC.

Já os remédios para tratamento de hipertensão são mais fáceis de ser encontrados, mas não em todos os estabelecimentos. Conforme explicam funcionários, a grande dificuldade se dá porque a insulina é um produto que precisa ser mantido em local refrigerado, e estocá-la em grande quantidade não é uma estratégia interessante para as drogarias.

"A gente fica sem saber qual é a real demanda, então não compensa comprar um volume alto. Se perdermos o produto (por problemas de armazenagem ou expiração do prazo de validade), levamos prejuízo. Não é viável", disse um gerente de farmácia, que preferiu não se identificar.

A assessoria de imprensa do Ministério da Saúde destaca que os estabelecimentos conveniados são reembolsados pelo governo quando fornecem, de graça, um dos 24 tipos de medicamento incluídos na lista do programa. Eles, entretanto, não são obrigados a participar da iniciativa.

Mas, neste caso, ficam proibidos de comercializar aos usuários, mesmo com desconto, os remédios cuja gratuidade é prevista. "Em qualquer tentativa, é gerada automaticamente uma mensagem não autorizando a venda", frisa a assessoria, por meio de nota.

Ainda que o órgão federal saliente ter realizado um trabalho intenso de articulação no último mês para mobilizar farmácias e fabricantes no sentido de atender a demanda, o envolvimento com o programa ainda parece incipiente em Bauru. Apenas duas drogarias - uma localizada na avenida Comendador José da Silva Martha e outra no Jardim Contorno - informaram ter todos os medicamentos disponíveis a custo zero.


Sem previsão


Em três estabelecimentos consultados - na avenida Duque de Caxias, no Núcleo Geisel e no Jardim América -não havia previsão de fornecimento de insulina. Em outras três - instaladas no Jardim Estoril, na rua Primeiro de Agosto e no Calçadão da Batista de Carvalho -, apenas um ou dois tipos do medicamento estavam sendo distribuídos.

"O problema é que cada paciente precisa de um tipo específico de insulina, de acordo com o que o médico receitar. Ele não pode usar outro tipo só porque é aquele que a farmácia pode oferecer. Se não encontrar, vai ter que procurar em outro lugar", observa a assistente social Odaléia Silvestre Rocha, da Associação dos Diabéticos de Bauru.

Ela destaca, no entanto, que os pacientes da cidade não deverão enfrentar tantas dificuldades para dar continuidade ao tratamento porque as unidades básicas de saúde já fornecem a insulina, assim como outros remédios para controle da doença, há pelo menos cinco anos por meio do Sistema Único de Saúde (SUS). "Não temos recebido reclamação dos associados em relação a falta de medicamentos na rede municipal, então acho que não teremos tantos problemas por nem todas as farmácias estarem distribuindo", aponta.

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Onde encontrar


Sob o slogan "Saúde não tem preço", a iniciativa do programa Farmácia Popular inclui a distribuição gratuita de 24 tipos de medicamentos para hipertensão, diabetes e mais cinco doenças (asma, rinite, mal de Parkinson, osteoporose e glaucoma), além de fraldas geriátricas. Para ter acesso aos produtos é necessário que o usuário apresente CPF, documento com foto e receita médica.

Os pacientes que quiserem consultar previamente as drogarias conveniadas para saber se elas fornecem os remédios custo zero, é possível telefonar para o 0800-61-1997 ou consultar a lista completa em http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/fpbrsc_sp.pdf, onde constam, além do endereço, os telefones dos estabelecimentos.

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