Um equipamento capaz de clonar todos os dados e imagens de um telefone celular, inclusive tudo o que foi apagado do aparelho, é a mais nova arma contra o crime, especialmente aquele praticado pela Internet.
Por meio desse equipamento, autoridades policiais e judiciárias, além de empresas, conseguem identificar de que telefone vazou alguma informação sigilosa, ameaças e outras práticas criminosas.
De acordo com o advogado e perito digital José Antônio Milagre, o aparelho já serviu para desvendar um crime de pedofilia e o vazamento de imagens sigilosas de uma multinacional, em São Paulo.
No caso da pedofilia, o autor do crime havia apagado as fotos do telefone celular, mas com o uso do Cellebrite, um equipamento israelense, as autoridades policiais conseguiram recuperar todas as fotos e confirmar a acusação.
Já no caso envolvendo a multinacional, o perito conta que fotos mantidas em segredo para o lançamento de um produto vazaram na Internet. Como nenhum funcionário assumiu a autoria do vazamento, a empresa iniciou investigação interna. Uma das medidas foi recolher todos os telefones corporativos e fazer uma varredura com o auxílio do equipamento israelense. As fotos que vazaram foram encontradas em um dos aparelhos.
Segundo Milagre, o Cellebrite é capaz de clonar as informações armazenadas e apagadas de mais de 2.500 modelos diferentes de telefones celulares. A empresa Legaltech, de propriedade dele, comprou um desses aparelhos no fim do ano passado.
Desde então, a empresa tem prestado serviço à polícia, ao Ministério Público e às empresas. De acordo com o perito, a Legaltech não faz serviço particular, usando o clonador de celulares, como, por exemplo, investigar o conteúdo do telefone do namorado ou da esposa.
Além dos celulares, o Cellebrite clona também dados armazenados em smartphones, GPS e computadores.