Sanaa - Acuado pelas maiores manifestações antirregime desde que as revoltas no mundo árabe chegaram ao Iêmen, o ditador Ali Abdullah Saleh se voltou ontem contra os EUA, acusando o aliado de instigar protestos ao lado de Israel.
"Vou revelar um segredo. Há um centro de operações em Israel com objetivo de desestabilizar o mundo árabe, e ele é dirigido pela Casa Branca", disse Saleh em discurso na Universidade de Sanaa.
O ditador ironizou ainda Barack Obama, dizendo que o presidente americano age como se fosse "o presidente do mundo" ao exigir comedimento aos líderes árabes na reação aos protestos.
A acusação foi respondida pelo porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, que exortou o líder iemenita a promover reformas políticas em vez de buscar "bodes expiatórios".
A manobra tenta explorar disseminado sentimento antiamericano entre a população, contrária às incursões dos EUA no Iêmen em nome do combate à Al-Qaeda. EUA e Iêmen mantêm estreita cooperação contra o braço da Al Qaeda na região, hoje uma das mais atuantes afiliadas da rede terrorista.
As acusações, no entanto, não lograram conter os manifestantes, que se reuniram às dezenas de milhares em pelo menos cinco cidades do país para pedir a saída de Saleh. O ditador ocupa o cargo há 32 anos.
Omã
Soldados de Omã dispararam para o alto nas proximidades de um porto do país ontem com o objetivo de dispersar manifestantes que exigiam empregos e reformas políticas, ferindo uma pessoa na cidade de Sohar, segundo disseram testemunhas.
Arábia Saudita
As autoridades sauditas detiveram um clérigo xiita que defendeu a adoção de uma monarquia constitucional e o fim da corrupção e das discriminações, disseram ativistas de direitos humanos ontem.
O país - maior exportador mundial de petróleo e importante aliado dos EUA - é uma monarquia absolutista, que aplica uma austera visão do islamismo sunita e não tolera dissidências.
Egito marca datas
As Forças Armadas egípcias marcaram a data provisória de 19 de março para uma votação sobre reformas constitucionais, como prelúdio para uma eleição parlamentar em junho, a ser seguida por uma eleição presidencial que inauguraria uma democracia plena. A informação foi divulgada ontem por fontes do Exército.
O Conselho Supremo das Forças Armadas, que desde a deposição do presidente Hosni Mubarak, em 11 de fevereiro, está no comando do país árabe mais populoso do mundo, propõe um cronograma acelerado para a abertura de um novo capítulo na história moderna do Egito.
Irã
As autoridades iranianas negaram-se ontem a confirmar o paradeiro de dois líderes oposicionistas aparentemente presos em meio à organização de protestos no país.
Mirhossein Mousavi e Mehdi Karoubi já estavam praticamente sob prisão domiciliar desde que convocaram uma manifestação em 14 de fevereiro, para demonstrar solidariedade às rebeliões do norte da África.
Tunísia
Três ministros tunisianos renunciaram ontem, deixando à beira do colapso o governo interino que assumiu o poder depois da queda do presidente Zine al-Abidine Ben Al.
Com as novas renúncias, no espaço de 72 horas deixaram o governo o primeiro-ministro e cinco ministros, na pior crise política da Tunísia desde que Ben Ali foi derrubado há um mês e meio.