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Bebê morre após parto e família faz BO

Vinícius Lousada
| Tempo de leitura: 3 min

Após nove meses de espera e expectativas para o nascimento de seu primeiro filho, João Henrique Sprocatti, 36 anos, registrou boletim de ocorrência (BO) no Plantão Policial na tarde de ontem pela morte do bebê, 40 minutos após seu nascimento, na última terça-feira, na Maternidade Santa Isabel. O caso foi registrado como morte suspeita e será investigado se houve ou não responsabilidade médica pelo atraso da cirurgia cesariana e pelo sofrimento fetal.

De acordo com o pai da criança, sua esposa, Priscila Adriana Silvino, 31 anos, mãe de quatro filhos, estava grávida de nove meses e tinha como prevista a data do parto para o dia 1 de março. Residente em Piratininga, a mãe fez todo o acompanhamento pré-natal durante a gestação no Centro de Saúde da cidade. O parto normal ou a necessidade de cesariana seria definida pelo médico plantonista da Maternidade Santa Isabel.

Na última segunda-feira, 28 de fevereiro, Adriana foi levada ao hospital após ter expelido um líquido transparente, semelhante a água. Segundo o boletim de ocorrência, o exame intravaginal foi feito, mas a gestante foi mandada de volta para sua casa sem qualquer medicação ou realização de exames externos.

Já na madrugada de 1 de março, a mulher começou a sentir contrações e expelia um líquido esverdeado através de seu órgão genital. Foi, novamente, levada à Maternidade Santa Isabel, por volta das 7h30. "Ela estava sentindo muita dor e perdia muita água", conta o pai do bebê.


Gestação


João Henrique relata que, às 8h, sua mulher foi examinada pelo mesmo médico que acompanhou sua gestação no Centro de Saúde em Piratininga. "Ela foi para a sala de aguardo e ele receitou o soro. Mas ela ficou lá até as 14h30 sem o soro porque falaram que os batimentos cardíacos do meu filho já estavam muito acelerados", afirma.

Durante as seis horas e 30 minutos que Adriana aguardou pela realização do parto normal, o médico mandou levá-la para debaixo do chuveiro com o objetivo de estimular o nascimento do bebê, segundo João Henrique. Lá, ela ficou por aproximadamente uma hora.

O sofrimento parecia ter sido interrompido quando outra médica examinou a gestante e constatou a necessidade do procedimento de cesariana para o parto, pois a criança já teria, inclusive, defecado dentro do útero da mãe.

O bebê, porém, nasceu com dificuldades respiratórias e foi encaminhado à incubadora da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da maternidade, mas não resistiu e morreu após 40 minutos de vida. "A dor é muito grande e eu não desejo isso para ninguém. É uma marca que não vai sair da gente nunca mais", lamenta João Henrique.

A mulher segue internada na Maternidade Santa Isabel. Seu esposo explica que ela passou por exames no Instituo Médico Legal (IML) e o bebê foi submetido a necrópsia. "Vamos aguardar os resultados para saber se vamos tomar alguma medida contra o hospital, mas eu acredito que, se a cesariana tivesse sido realizada de manhã, quando ela chegou ao hospital, isso não teria acontecido", afirma ele.

A assessoria de imprensa da Associação Hospitalar de Bauru (AHB), que administra a Maternidade Santa Isabel, foi procurada pela reportagem, mas afirmou desconhecer o caso.

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