Tribuna do Leitor

Que presente!


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Estava num desses dias de balanço, refletindo e pensando se teria valido a pena tanta doação, renúncia e olhar voltado para o próximo. Mais da metade da minha existência foi assim, além de trabalhar pelo sustento da minha própria família. Fazia tudo ao mesmo tempo. E por incrível que pareça dava sempre certo e ainda sobrava um tempinho para analisar meus problermas pessoais.

 Penso que algumas coisas que fiz foram impossíveis, como a fala de um grande filósofo francês: "Não sabendo que era impossível, foi lá e fez!" Nesse dia 8 de março de 2011, acordei saudosa e reflexiva, muito calada, até abrir o nosso Jornal da Cidade, onde eu imaginava só assuntos carnavalescos.

 E de repente, ao folhear  a Tribuna do Leitor, deparei-me com almas generosas e sensíveis que notaram minha existência tão modesta e recolhida. Professora Célia Neves, grande mulher e profissional, elogiando minha trajetória de vida; em seguida, na mesma página, o senhor José Roberto Rodrigues, que deve acompanhar bem de perto o meu  trabalho (já que é policial), destaca na sua maravilhosa mensagem, "as Catarinas". Já era muito presente para mim!

 Mas como leio tudo no Jornal, vejo uma carta firmada por Sinuhe Daniel Preto, tão co-nhecedora dos caminhos das mulheres, tal a intelectualidade aposta no papel e com muito cuidado para não esbarrar no preconceito, iniciando por Chico Buarque, fazendo a curva  no cinéfilo Pedro Almodóvar e fechando com o escritor da nossa terrinha, Luiz Vítor Martinelo. Enfim, não uma carta apenas e sim um do-cumentário rico em detalhes e figuras de estilo. E, pasmem, caros leitores, ao mencionar mulheres de Bauru, generosamente fez referência ao afeto que ele vê na minha postura com os menos favorecidos pela sorte. 

Você todos, muito generosos e com memória afiada, fizeram que eu vivesse um dia de gala, sem ir ao sambódromo. A todas as mulheres de Bauru, principalmente àquelas que madrugam para levar os filhos na creche e voar para as atividades do dia a dia, meus mais sinceros parabéns! Afinal, nós temos múltiplas jornadas de trabalho! E ainda achamos tempo para ler e escrever!!! Ao JC, o que disse Chico Chavier: "sou como o carteiro; apenas entrego as cartas..."


Catarina Carvalho

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