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Ética ecológica: vida no Planeta

Luiz Antonio Lopes Ricci
| Tempo de leitura: 3 min

Inicia-se na quarta-feira de cinzas a Quaresma e, concomitantemente, a Campanha da Fraternidade 2011com um tema relevante e de grande atualidade: a questão ecológica e a vida no Planeta. Trata-se de um apelo à conversão que passa necessariamente pela mudança na maneira de pensar e de agir. A questão ecológica tem suas raízes no assim denominado "antropocentrismo forte". Tendo como fundamento uma interpretação errônea do "dominai a terra" (Gn 1,28), este modelo considera o mundo não humano como valor instrumental, enquanto é fonte de bem-estar para o homem. Consequência: exploração contínua e legitimada sobre a ideia de que os recursos da natureza são inesgotáveis, estando todos a serviço do consumo humano. Este antropocentrismo é egoísta e incapaz de considerar os interesses das gerações futuras, causando uma devastação desenfreada da natureza, numa atitude predatória e não sustentável.

O relato de Gn 1,28 demonstra que Deus conferiu ao homem uma senhoria participada, porém, isso não significa um poder absoluto, nem sequer liberdade de usar e abusar dos recursos naturais. Luta-se hoje para formar a consciência de que o homem tem uma responsabilidade especial sobre o ambiente, lugar onde se desenvolve a vida que lhe é confiada pelo Criador. Sabe-se que a Criação não está acabada e não é estática. O ser humano continua a obra da criação, é co-criador criado, desvenda os segredos e mistérios da criação e busca aperfeiçoá-la. O homem é colaborador de Deus e ao mesmo tempo seu intérprete (cf. GS, 50). Portanto, estamos ainda no oitavo dia da criação, ou seja, no "fim do início e não no início do fim" (Dom Hélder) como pensam alguns pessimistas. É possível sentir ainda o frescor criador.

O reconhecimento da futuridade da vida confiada incide fortemente na reflexão e orienta as ações. A futuridade (conservação terrena da vida) já é, por si mesma, causa de responsabilidade e compromisso com a vida. O comportamento predatório e consumista pode comprometer grave ou definitivamente o futuro da vida humana.

Sem o Criador as criaturas perdem a referência. O homem ao tentar se libertar de sua raiz corre o risco de se perder, corromper e destruir. Deus-Pai é o Criador. Destruir a figura do Criador pode significar a negação da sacralidade e dignidade da vida. A fé na criação faz da vida um dom. O senhorio do homem no serviço à vida é motivado pelo Senhorio de Deus Criador. Contudo, a tentativa de sepultar Deus, de viver não com Deus, mas como Deus, pode sepultar o homem na mesma sepultura que ele preparou para Deus (cf. J. Maritain)

Deus confiou ao homem toda obra da criação com a seguinte fórmula solene: "Vejam! Eu entrego a vocês..."(Gn 1,29). A terra é confiada para ser casa da vida. O homem é aquele que está a serviço da vida. É no serviço e responsabilidade pela vida que se dá a semelhança com Deus. Deus confiou a criação aos cuidados do homem pecador e frágil, mas capaz de evitar o caos e de cultivar a vida. A Criação e História da Salvação não estão acabadas, continuam evoluindo até a realização final (cf. Ap 21-22).

"Deus nos criou sem nós, mas não nos salvará sem nós" (Santo Agostinho)

O senhorio do homem sobre a criação é construtivo e responsável.

Se o homem que sofre nos pertence (João Paulo II), mutatis mutandis: "a criação que geme em dores de parto" (Rm 8,22) nos pertence. Trata-se, portanto, de conjugar a preocupação ecológica com a preocupação social, o grito e dores da terra com o grito e dores dos pobres e vulneráveis.

Propõem-se, como gesto concreto, atitudes pautadas quotidianamente pelos cinco "R", onde o "R" da responsabilidade ecológica e sustentabilidade se atua no: refletir, recusar, reduzir, reutilizar e reciclar.


O autor, Luiz Antonio Lopes Ricci, é sacerdote e colaborador de Opinião

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