Tribuna do Leitor

Facilidade da crítica


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É muito fácil criticar. Esta frase receberá várias críticas, pois é fácil criticar. É claro que existirão vários tipos de crítica, com vários pontos de vista, alguns mais sábios, alguns mais passionais, mas todos com suas razões, pois todos temos nossas razões. Analisando o caso dos médicos de urgência dos prontos-socorros em Bauru e a discussão na Câmara, o que mais me vem à cabeça é isso: é fácil criticar. Todos sabemos e muitos vivemos os problemas de atendimento, não é de hoje, é um problema antigo que se agrava a cada dia. Pois quando é proposta uma nova solução, vem uma enxurrada de críticas, que talvez por falta de visão analítica ou falta de conhecimento histórico, quer continuar tentando as mesmas soluções, ou seja, não resolvendo o problema.

Bordões como "vão terceirizar a saúde pública", com todo o respeito, já não funcionam, não levam a lugar algum, não são desta época em que vivemos onde as coisas são muito dinâmicas. Muitas terceirizações funcionam muito bem. Com o crescimento econômico e maior demanda por profissionais qualificados, é normal que os salários, principalmente dos profissionais com tarefas mais complexas, sejam mais valorizados, pois são mais escassos e por isso há uma disputa por seus serviços. Os vereadores mesmo estão sempre subindo bastante os seus salários, ou não?

Criticar é fácil, pois sugiro que quem critica dê uma sugestão, mas uma sugestão nova, com visão prática e que já não foi tentada no passado, pois soluções velhas para problemas velhos, normalmente os mantém. O que sugiro também é que deixem tentar uma nova solução, fiscalizem essa nova solução, apontem erros práticos, critiquem analisando a situação, visitem, vejam a solução funcionando na prática ou não funcionando e aí, sim, critiquem ou até quem sabe, num instante de equilíbrio e sensatez, elogiem. Pois elogiar é difícil.


Saulo Bertozo Pereira - analista de sistemas, estudante de medicina e crítico patológico

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