Política

Plano de mobilidade em Bauru vai começar

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 6 min

Amanhã, será realizada a primeira reunião do Núcleo Gestor que analisará o plano de diretrizes para melhorar a mobilidade urbana e rural de Bauru. Segundo as expectativas, o plano irá agir em inúmeras frentes, inclusive com estudos para criar novas vias e até mesmo alteração de linhas do transporte coletivo.

O Núcleo Gestor é composto por membros da sociedade civil e do poder público (leia mais nesta página), funcionando como uma espécie de órgão de fiscalização e orientação das ações do Plano Diretor de Transporte e Mobilidade do Município de Bauru.

Este planejamento é, na verdade, um capítulo exclusivo do Plano Diretor geral, aprovado em 2008, e que norteia o desenvolvimento da cidade. O objetivo dessa parte específica é "contribuir para o acesso amplo e democrático à cidade por meio do planejamento e organização do sistema de mobilidade urbana e regulação dos serviços de transportes urbanos".

Segundo o presidente da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural (Emdurb), Nico Mondelli, com a reunião do Conselho Gestor, o plano inicia a parte prática de pesquisas dos maiores problemas de mobilidade da cidade.

"Uma equipe técnica da Emdurb começa a fazer pesquisas e estudos do que precisa ser mudado em Bauru para melhorar a mobilidade. E tudo passa por esse Núcleo Gestor, que orienta e avalia essas possibilidades. Vistos os problemas, o plano pode indicar soluções para as melhorias em questão", explica.

Nico Mondelli prevê que é provável que o plano esteja concluído dentro de 12 meses. "Hoje, há muitas ações pontuais para tentar melhorar a mobilidade. Mas o que essa parte específica do plano diretor quer é elaborar um estudo em amplas as frentes e indicar como pode haver melhorias permanentes e planejadas".

Com certeza, um dos principais problemas enfrentados pelos bauruenses na questão da mobilidade é o trânsito. Em julho do ano passado, a frota atingiu o expressivo número de 200 mil veículos e, mesmo com inúmeras mudanças viárias, as dificuldades persistem.

"O estudo pode apontar, por exemplo, que a maneira de melhorar o trânsito é construir uma nova avenida, porém, pode emitir também outras alternativas. Uma ideia é a construção de pequenos distritos industriais perto de bairros em que há muitos trabalhadores. Assim, reduziria o transporte de pessoas que se locomovem por toda a cidade para trabalhar", explica Mondelli.

Outras ações que poderiam funcionar seriam as revitalizações de espaços. O presidente da Emdurb expõe que, "ao revitalizar alguma área, você desloca o fluxo para aquele local. Isso é uma saída. Na verdade, o plano visa reunir uma variedade de propostas que podem melhorar a mobilidade do bauruense".

Transporte Coletivo

Uma das pesquisas envolvidas no Plano Diretor de Transporte e Mobilidade de Bauru é a questão do transporte coletivo. Nico Mondelli informa que, pela dimensão do assunto, uma empresa de consultoria será contratada para fazer um estudo específico.

"Sabemos que é preciso haver uma remodelagem nas rotas no transporte coletivo. O último estudo foi feito em 2003 e a cidade mudou muito desde então. Se uma empresa grande abre, por exemplo, o fluxo de pessoas e a demanda aumenta muito nesse local. Precisamos fazer esse estudo e, certamente, vamos readequar as rotas", aponta Mondelli, explicando que há até mesmo a possibilidade da aquisição de mais ônibus.

Ele afirma que outro tópico a ser trabalhado são as estruturas físicas dos pontos do transporte coletivo. "Queremos cobrir os ?abrigos? e dar mais conforto à população. Nosso objetivo é chegar a um patamar em que a pessoa, mesmo tendo carro, opte por andar de ônibus. Isso melhoraria em muito o trânsito", completa.

Com a mesma intenção de "desafogar" as ruas, o plano de mobilidade irá apontar as melhores localidades em que construções de ciclovias possibilitem a dispensa do automóvel e até mesmo melhorias para os pedestres, como consertos em calçadas e eliminação de obstáculos.


____________________

Captação de recursos

Além de indicar possíveis soluções para o fluxo de pedestres e principalmente ao trânsito problemático de Bauru, a elaboração do plano de mobilidade pode ajudar a captação de recursos para que tais soluções se concretizem.

"Para o município receber recursos do governo federal, muitas vezes eles olham se a cidade tem esse plano de mobilidade. O município que tem esse planejamento sai na frente para ficar com essa verba importante", explica Fabiana Aparecida Trevisan de Lima, membro da equipe de sistematização do projeto.

Segundo ela, após finalizado o plano ? cuja previsão de término é o começo do ano que vem -, será feita a institucionalização. Assim, "ele pode virar um decreto ou uma lei. É preciso discutir isso em âmbitos jurídicos".

Questionado sobre a possibilidade de não "sair do papel", Nico Mondelli aponta que, "uma vez que exista esse plano e recursos para as soluções apontadas, ele deve ser cumprido".


____________________

Duque de Caxias deve ter estudo específico

Uma das avenidas mais conturbadas de Bauru é a Duque de Caxias. Nos horários de pico, a via apresenta trânsito intenso nos dois sentidos. Segundo o presidente da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural (Emdurb), Nico Mondelli, a avenida será contemplada no estudo.

"A Duque de Caxias precisa ser estudada. Apesar de haver caminhos alternativos, ela é muito grande e não tem uma via paralela. É preciso procurar uma solução para aliviar o trânsito por toda a sua extensão", alerta.

Para o titular da Secretaria Municipal de Planejamento (Seplan), Rodrigo Said, que também faz parte do Núcleo Gestor do Plano de Mobilidade, a instalação de baias exclusivas para o estacionamento dos ônibus do transporte coletivo já amenizaria o problema na avenida. "Hoje, quando vai fazer o embarque e desembarque, o transporte coletivo para no meio da rua e atrapalha o trânsito. Se houvesse um recuo, isso já melhoraria bastante. É algo que o estudo pode analisar".

Para Said, além da Duque, o trânsito em outras vias também é preocupante, como a Rio Branco, a Nossa Senhora de Fátima, a Getúlio Vargas e a Nações Unidas.

Com o quadro, ocorrem efeitos colaterais perigosos, como o aumento de fluxo nas rodovias. "Todas as rodovias que cortam Bauru são utilizadas como avenidas. É muito comum ver as pessoas se deslocarem de um ponto a outro utilizando a Rondon, por exemplo. Esse é um ponto que o planejamento (de mobilidade) precisa analisar".


Núcleo Gestor

O Núcleo Gestor do Plano Diretor do Transporte e Mobilidade de Bauru terá a função de analisar as pesquisas feitas e as possíveis soluções apontadas pela equipe técnica da Emdurb. Amanhã, a composição do núcleo será publicada no Diário Oficial do município.

Entre os membros, estão pessoas do poder público, como os secretários de Obras, de Agricultura e Abastecimento, do Planejamento e o do Meio Ambiente, além de outros representantes.

Já pela sociedade civil, participam entidades como os conselhos municipais de Desenvolvimento Rural, de Habitação, de Pessoa Idosa, órgãos como Sest/Senat, Sindbru, Ciesp, os sindicatos dos Engenheiros no Estado de São Paulo (Seesp) e dos trabalhadores em Transportes Rodoviários (Sindtran), além de professores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e da Universidade Paulista (Unip). "Há engenheiros e arquitetos que podem ajudar a equipe técnica da Emdurb e analisar bem esses estudos", completa o presidente da empresa municipal, Nico Mondelli.

Comentários

Comentários