Tóquio - A contaminação de três operários da usina nuclear de Fukushima 1 por uma quantidade de radiação 10 mil vezes mais alta que a normal levou ontem o governo japonês a investigar uma possível ruptura no reator 3.
Pequenas quantidades de radiação já vinham vazando dos reatores desde que um terremoto de magnitude 9 e o subsequente tsunami destruíram o sistemas de resfriamento da usina. Porém, uma vez confirmada, uma ruptura na primeira parede de contenção do reator pode significar um vazamento de radiação de proporções muito maiores que as registradas até agora.
Além disso, o reator 3 é movido a plutônio, substância mais tóxica que o urânio, presente nos outros reatores. "A situação ontem em Fukushima ainda é muito grave. Não estamos em condições de ser otimistas. Faremos o máximo para impedir que a situação se deteriore ainda mais", disse ontem o premiê Naoto Kan.
De acordo com o governo, o vazamento de radiação que atingiu os operários pode estar sendo provocado por um buraco ou rachadura na câmara de aço inoxidável que protege o núcleo do reator 3.
Outra hipótese é a que a ruptura tenha ocorrido na piscina onde é armazenado material nuclear já utilizado no reator - que tem níveis de radioatividade mais perigosos que o do próprio núcleo.
Os três operários feridos teriam sido expostos a radiação expelida por essa ruptura, segundo a Agência de Segurança Nuclear e Industrial do Japão.
Enquanto instalavam cabos em uma sala próxima ao reator, eles pisaram em uma lâmina de água radioativa de 15 cm de profundidade. A água entrou em contato direto com a pele de dois deles, provocando queimaduras nas pernas.