Londres - Pesquisa realizada em 27 países em todos os continentes mostrou que cresceu a preocupação da população mundial com o aumento do poder econômico da China.
O gigante asiático já tem o segundo maior PIB (Produto Interno Bruto) do planeta, depois de ter ultrapassado o Japão no ano passado.
De acordo com a sondagem, elaborada pelo instituto de pesquisa GlobeScan/PIPA para a agência estatal britânica BBC World Service, 40% das pessoas consultadas consideram ser negativo o crescimento da China como potência econômica.
A mesma pesquisa foi feita em 2005, quando 34% da população considerava ruim o crescimento chinês. Essa diferença indica que cresce o receio global do poderio econômico do gigante asiático.
A maioria da população mundial também considera ser ruim o fato de a China ser uma potência militar. Essa é a opinião de 63% dos entrevistados, praticamente o mesmo resultado de 2005, quando 61% dos entrevistados deram resposta negativa a essa pergunta.
O instituto entrevistou 28.600 pessoas em 27 países, inclusive o Brasil. Não foram divulgados resultados específicos sobre a percepção dos brasileiros, contudo.
Segundo o instituto GlobeScan/PIPA, o temor do crescimento econômico da China é maior entre os que são os principais parceiros comerciais do asiático, em especial os países do G7.
Na França, a reação negativa à potência econômica chinesa subiu de 31% para 53%, a maior variação registrada pela pesquisa. Nos Estados Unidos, o temor passou de 45% para 54%.
Na média geral, no entanto, a visão ainda é de que é positivo a China ser uma potência econômica para 45% dos entrevistados. A diferença entre as opiniões positiva e negativa é dos entrevistados que não responderam das opções indicadas.
Os países com visão mais positiva sobre a China são a Nigéria, com 82%, e o Quênia, com 77%.
Segundo o instituto de pesquisa, os resultados sugerem que a preocupação com o crescimento econômico da China reflete a percepção de que o país adota práticas desleais de comércio.
Mais de um terço dos entrevistados consideram as práticas de comércio da China desleais, comparados com 28% dos que creem que os EUA é que são injustos.
Os entrevistados também disseram acreditar que a China vai ultrapassar os Estados Unidos em importância como parceiro econômico para o seus respectivos países nos próximos dez anos.