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Com até 80% de alunos empregados, Senai nega ?apagão? de mão-de-obra

Por Tisa Moraes | Com Redação
| Tempo de leitura: 5 min

O crescimento econômico a que o País vem assistindo na última década, aliada ao desenvolvimento tecnológico, criou novas demandas de mercado. Com necessidade quase urgente, os empresários buscam funcionários qualificados e a suposta falta de profissionais tem tornado popular um novo termo na área: o "apagão" da mão de obra.

Na contramão desta vertente, o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) de Bauru continua formando milhares de profissionais nas áreas econômicas mais aquecidas da cidade, entre elas os segmentos eletroeletrônico, metalmecânico, automobilístico e gráfico. Mesmo antes de concluírem os cursos, os estudantes já possuem habilidade para ingressar no mercado de trabalho, mas ocorre que nem todos estão empregados.

Esta realidade, que num primeiro momento pode parecer negativa, aponta que o município está longe de viver seu "apagão" particular. Com exceção do setor da construção civil - que vive seu melhor momento em toda a história -, empresários dos principais segmentos econômicos da cidade empregam até 80% dos alunos matriculados no Senai.

Este índice refere-se ao segmento gráfico, uma das principais vocações de Bauru. Já na área de eletroeletrônica e usinagem, por exemplo, o nível de emprego está em 70%.

"O técnico em edificações, por exemplo, vive uma realidade completamente distinta dentro da construção civil, que é o setor mais aquecido da economia atualmente. O índice de empregabilidade está em 35%, porque o que os canteiros de obras estão precisando é de pedreiros, serventes de pedreiros, azulejistas", comenta Guilherme Gonsales Panes, coordenador técnico da escola em Bauru.

Instalado dentro do Senai, o Núcleo de Construção Civil forma, por semestre, 64 alunos técnicos e 250 estudantes nos cursos de formação inicial continuada (nos quais é cobrada mensalidade). Mas as vagas para os cursos de pedreiro ainda são difíceis de ser preenchidas, devido ao estigma que este tipo de profissão ainda carrega.

"A pessoa pensa: eu não vou estudar para ser pedreiro. Mas o fato é que a remuneração para esta profissão chega a R$ 2 mil, R$ 2,5 mil. É um preconceito sem sentido, diante da realidade que a gente vive hoje", pontua Panes.


Dinâmica de mercado


Segundo o coordenador, as vagas de emprego oferecidas atualmente requerem mais conhecimento e menos habilidades mecânicas do profissional. E o Senai, aponta ele, realiza estudos constantes para acompanhar esta dinâmica de mercado e detectar as novas e variadas demandas das empresas.

"Não adianta ficar discutindo a existência do apagão. Temos que discutir a solução, entender quais são as demandas concretas das empresas no longo prazo e suprir essa necessidade com a criação de novos cursos", considera, revelando que, no momento, a instituição estuda a necessidade de criação de um curso para atender a indústria de produtos plásticos.

Conforme lembra o coordenador de estágio do Senai de Bauru, Carlos Alberto Cardozo, por conta do receio geral da instalação do apagão de mão de obra na cidade, as visitas do Senai junto às empresas foram intensificadas no ano passado. Mas, na época, contraditoriamente, o índice médio de empregabilidade dos alunos da escola era de 47%.

"Hoje, estamos chegando a uma média de 60%, mas ainda há uma folga. É claro que essa estatística depende do curso e também do semestre em que o aluno está estudando. Na área gráfica, por exemplo, cerca de 95% dos estudantes do quarto termo estão contratados, mas esta não é a regra", aponta.

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Oito mil profissionais por ano


Anualmente, o Senai forma aproximadamente oito mil profissionais por ano em Bauru, sendo 1,2 mil somente nos cursos técnicos gratuitos oferecidos pela unidade. Além de formação técnica, a unidade mantém cursos rápidos de aprendizagem industrial e de formação inicial continuada.

Fundada em 1950, a escola do Senai em Bauru começou a funcionar com cursos de marcenaria, ajustagem mecânica, tornearia mecânica, mecânica automobilística, mecânica de manutenção e mecânica para eletricistas. Ao longo dos anos, no entanto, a instituição recebeu melhorias físicas e tecnológicas que propiciaram o aumento no leque de áreas de ensino.

Em 1994, foram implantados os laboratórios de hidráulica e pneumática. Em março de 2005, a escola inaugurou o Núcleo de Tecnologia Gráfica, com o Laboratório de Ensaios em Papel e Papelão (Lappon), que recebeu creditação do Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro). No mesmo ano, foram iniciadas as reformas para que a instituição abrigasse os já atuantes Núcleo de Panificação e Confeitaria, Laboratório de Ensaio de Baterias e Escola de Construção Civil.

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Contrapartida das empresas


Assim como a devida adequação dos cursos de capacitação profissional, as empresas também precisam desempenhar seu papel para afastar o fantasma do apagão da mão de obra.

Na avaliação do coordenador técnico do Senai em Bauru, Guilherme Gonsales Panes, os novos talentos precisam ter espaço para mostrar seu trabalho, já que é vivenciando o cotidiano das empresas que eles têm a oportunidade de pôr em prática o que aprenderam.

"As empresas precisam dar condições para que eles possam se desenvolver e se sintir valorizados, para que essa mão de obra fique retida. Não adianta querer só contratar gente com experiência, porque o mercado todo está disputando profissionais", pondera.

De qualquer maneira, a parceria do Senai com as empresas permanece estreita. De um lado, estagiários com a necessária habilidade profissional são encaminhados ao mercado de trabalho e, de outro, a indústria fornece subsídios que propiciam a formação técnica.

Um exemplo desta troca é a cessão de automóveis por parte de montadoras para capacitação dos alunos. Uma vez habilitados, eles se tornam multiplicadores do conhecimento dentro das concessionárias, o que é uma vantagem para a indústria.

A relação de proximidade também se estabelece por meio de um mural de oferta de empregos afixado dentro da unidade.

Através do site do Senai de Bauru (www.sp.senai.br/bauru), as empresas preenchem um formulário padrão disponibilizando postos de trabalho e a escola seleciona os perfis mais indicados para ocupar a vaga, economizando o tempo que os empregadores despenderiam para fazer a seleção dos melhores candidatos.

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