Hoje é comemorado o Dia Mundial de Saúde. A data, entretanto, não tem motivos a serem festejados em Bauru. Uma das maiores crises da história na cidade é refletida na insatisfação da população, horas de espera no Pronto-Socorro Central (PSC), macas espalhadas pelos corredores, falta de médicos e em discussões infindáveis para tentar contornar esse quadro. A situação preocupante que emerge agora pode ser melhor compreendida ao longo de anos, uma vez que, de acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, o número de unidades de atendimento é o mesmo há mais de duas décadas.
Atualmente, existem 18 desses núcleos de saúde, que são responsáveis pela parte preventiva - como a vacinação -, promoção de saúde e também atenção médica. Segundo levantamentos feitos pelo secretário municipal de Saúde, Fernando Monti, esse número não mudou desde 1987.
"Esses núcleos de saúde começaram a ser instituídos no início dos anos 80. Até o fim da década, houve um investimento e eles foram sendo construídos. Por volta do começo dos anos 90, a rede não cresceu mais. Houve apenas melhorias e reformas localizadas, entretanto, não houve a ampliação da rede".
Tal dado é extremamente alarmante comparado ao grande crescimento populacional da cidade. Em 1987, Bauru tinha cerca de 225 mil habitantes. Hoje essa população é de 344 mil, ou seja, houve aumento de aproximadamente 120 mil habitantes para os mesmos 18 núcleos de saúde.
A estimativa da Secretaria de Saúde é de que, mesmo com o aumento quantitativo do número de pessoas com planos de saúde, a quantidade de usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) gire em torno de dois terços da população.
De acordo com essa média, em 1987 passavam por essas unidades cerca de 150 mil pessoas e, hoje, o número de atendimentos pode chegar aos 230 mil. Um aumento na demanda de 80 mil pessoas sobre um panorama estagnado por, no mínimo, 24 anos.
"É bastante evidente que o atendimento básico em Bauru não é suficiente. A capacidade de atendimento é menor do que a metade da demanda. O correto seria realizarmos 400 ou 500 mil atendimentos por ano. Somente fazemos entre 230 e 240 mil atendimentos", aponta Monti.
Segundo ele, se houvesse mais dessas unidades, certamente a grande demanda verificada principalmente no PSC desafogaria e a crise seria amenizada. "Essas unidades básicas são capazes de reter cerca de 80% dos atendimentos em que são procuradas. Então, certamente colaboraria para amenizar essa grande demanda em locais como os prontos-socorros", completa o secretário.
Mais 12 unidades
Ciente de como a ampliação dessa rede seria importante em "desafogar" a demanda do PSC, Fernando Monti prevê a instalação de mais 12 unidades ainda este ano. "É algo que ficou muito tempo parado, porém, precisa ser retomado. Queremos elevar esse número de 18 para 30 unidades ainda em 2011", revela.
O secretário ainda destaca a importância das equipes que prestam o conhecido Programa Saúde da Família (PSF). Essas equipes atuam com ações de promoção da saúde, prevenção, recuperação, reabilitação de doenças e na manutenção da saúde de determinadas comunidades.
"As equipes de Saúde da Família é o que temos de mais novo em atendimento das unidades básicas. Existem sete equipes em Bauru: três na Vila São Paulo e quatro no bairro Santa Edwirges. Elas atendem cerca de 4 mil pessoas e verificamos que, nesses locais, o nível de resolução dos casos gira em torno de 90%".
Com a promessa da instalação dessas 12 unidades básicas de saúde que finalmente alteraria esse quadro quantitativo parado há mais de 20 anos, Monti espera colocar em atuação mais 26 equipes de promoção da Saúde da Família.
?Não havia tomada para ligar
computador?, aponta secretário
Um dos pontos que também refletem a precariedade instalada na saúde pública de Bauru é o fato de o sistema não ser informatizado. A promessa de mudança que se arrasta há algum tempo pode virar realidade ainda este ano, segundo o secretário municipal de Saúde, Fernando Monti.
De acordo com ele, a maior responsável por essa demora é a deficiência na estrutura dos locais. "Não havia nem tomada para ligar os computadores. Também não havia conectividade e como ligar os locais em rede. Estamos trabalhando para dotar as unidades de meios para instalar os equipamentos".
Segundo Monti, dois dos três lotes de computadores já foram recebidos pelo município. Assim, na fase final de sua administração começa a ser visualizado realmente um possível desfecho para o problema já conhecido pelo secretário desde antes dele assumir a pasta.
Entretanto, mesmo com os equipamentos, há outro obstáculo para a informatização: o programa de computador que será utilizado. "Isso ainda é algo que estamos trabalhando. Não queremos um programa que seja burocrático, mas um que melhore realmente o atendimento. É algo complexo, pois é preciso um software que funcione como agenda, colabore na rotina dentro da unidade e faça até mesmo o controle dos estoques. Ainda estamos verificando isso", conclui Fernando Monti.
UPAs ainda não foram inauguradas
No Dia Mundial da Saúde, uma das maiores esperanças da população continua sendo a antiga promessa das Unidades de Pronto-Atendimento (UPA). Serão quatro instaladas em Bauru, onde os pacientes receberão atendimento de problemas como pressão alta, febre, cortes, queimaduras e alguns traumas. Haverá ainda primeiros socorros para casos mais graves como infarto ou acidente vascular cerebral (AVC).
Inicialmente, três começarão a atender os bauruenses. Entretanto, o prazo de inauguração somente é prorrogado. Agora, a previsão é de que fiquem prontas entre 30 e 60 dias. Elas estão localizadas no Jardim Bela Vista - a maior delas -, no Núcleo Mary Dota e na Vila Ipiranga.
Já a quarta unidade, que ficará no Núcleo Geisel, ainda nem começou a ser construída, sendo que a expectativa de inauguração é somente para o fim do ano.
A previsão inicial era de que essas UPAs ficassem prontas no fim ano passado. Entretanto, as empresas responsáveis pelas respectivas construções solicitaram prorrogações nos prazos de entrega das reformas para o primeiro trimestre deste ano.
Nessas UPAs, ainda existe a promessa de que sejam disponibilizados serviços de raio X, laboratório para exames, aparelho de eletrocardiograma e atendimento pediátrico. Além da construção das instalações, a verba para equipar e manter em funcionamento as UPAs de Bauru virá do Fundo Nacional de Saúde (FNS) diretamente para o Fundo Municipal de Saúde (FMS).
A expectativa de que as UPAs amenizem a crise da saúde não anima somente a população. É uma das premissas do prefeito Rodrigo Agostinho. Em entrevista recente ele disse que, assim que começarem a funcionar, o atendimento do PSC será suspenso para reforma geral nas instalações do local.