Bairros

Dengue: agentes recolhem 3 toneladas de material em uma casa do Santa Edwirges

Bruna Dias
| Tempo de leitura: 4 min

Parece absurdo, mas é realidade. Mais do que um problema de saúde pública, a dengue tornou-se uma deficiência social da urbanização. Recentemente, agentes de controle de endemias coletaram aproximadamente três toneladas de possíveis criadouros de larvas do mosquito Aedes aegypti em uma única residência, localizada no Parque Santa Edwirges - um dos bairros com o maior número de registros da doença em Bauru.

Mesmo com o número de casos aumentando a cada dia - ontem mais 107 foram confirmados, totalizando 1.388 somente neste ano -, a população insiste em não colaborar com o trabalho da Secretaria Municipal da Saúde e com a própria saúde.

Segundo Mário Ramos, coordenador da comissão da megaoperação de combate à dengue iniciada no mês passado - e que também é médico veterinário -, em outra residência do mesmo bairro os agentes coletaram nove vasos sanitários que estavam no quintal ao ar livre.

"É incrível, mas a pessoa guardava nove vasos sanitários nos fundos da casa. Todos tinham água parada e larvas do mosquito (transmissor) da dengue", contou.

Ontem, os agentes passaram pelo Núcleo Ferradura Mirim, Jardim Tangarás, Parque Bauru e Parque Júlio Nóbrega. Entre esses bairros foram recolhidas 3,42 toneladas de material inservível nos 1.138 imóveis vistoriados.

Nebulização

Hoje é a vez do Jardim Prudência, Núcleo Nova Esperança e Vila Industrial, com a nebulização prevista para ocorrer entre 19h e 23h. Os agentes de controle de endemias continuam o trabalho incessante fazendo a catação de criadouros do mosquito Aedes aegypti nas residências, inclusive em terrenos. A nebulização voltou a ser feita no Parque Santa Edwirges e Parque Jaraguá.

Outro problema que a equipe da megaoperação contra a dengue vem enfrentando é com o lixo. "A população não espera a coleta passar novamente e coloca os sacos de lixo em terrenos baldios para que a equipe recolha posteriormente. Além disso, tiveram alguns lugares em que nós passamos, recolhemos o lixo e, quando voltamos, estava sujo novamente. Precisamos da colaboração da população", ressalta Mário Ramos.

Os terrenos que foram encontrados com mato alto e lixo foram devidamente autuados, segundo o coordenador da comissão da megaoperação contra a dengue. O valor varia e pode chegar a R$ 3 mil.

"Nós vimos terrenos em que o mato passava dos dois metros de altura. É um absurdo. Se alguém joga um copo ali, o terreno torna-se criadouro por anos. Aquela água parada que vai ficar dentro do copo é o lugar ideal para o mosquito se reproduzir", destaca Mário Ramos.

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Realidade

Mário Ramos, coordenador da comissão da megaoperação contra a dengue em Bauru, acredita que a dengue "escancara as realidades socioeconômicas no País", porque muitas pessoas recolhem lixo reciclável para vender posteriormente e, assim, angariar renda extra ou até mesmo garantir sua sobrevivência.

O entrave nessa questão é que, para conseguir vender esse material reciclável, é necessário juntá-los em quilos, pesagem pela qual o pagamento é estipulado. No entanto, não basta armazenar, é preciso fazer isso corretamente, evitando que esse material fique exposto às chuvas.

Os pneus também entram nesse questionamento. Para evitar que esses objetos acumulados tornem-se criadouros da larva do mosquito Aedes aegypti, é necessário removê-los ou estocá-los corretamente nas borracharias. No caso da remoção, eles não podem ser jogados em terrenos ou outros locais ao ar livre. O aterro sanitário é o melhor local para o descarte, segundo Mário Ramos.

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Em oito dias, sistema de triagem no PS Central atendeu 402 pacientes

A triagem disponibilizada no Pronto-Socorro Central (PSC) em um setor para atendimento exclusivo de pacientes com suspeita de dengue já atendeu 402 pessoas em apenas oito dias. A Secretaria Municipal de Saúde informou em nota que não necessariamente todas elas contraíram o vírus da dengue.

Neste local são realizados os exames e diagnósticos preliminares e, havendo a suspeita da doença, os pacientes são encaminhados para as Unidades Básicas de Saúde, onde são realizados os testes de sorologia. Esse exame deve ser feito a partir do 6º dia de febre (um dos sintomas da dengue) para o diagnóstico definitivo da doença. A medida evita que resultados de falso-negativo sejam emitidos.

Os principais sintomas da doença são febre, dores de cabeça, cansaço, dor muscular e nas articulações, indisposição, enjoos, vômitos, manchas vermelhas na pele, dor abdominal, entre outros sintomas.

Uma das principais orientações é para que as pessoas com sintomas, independentemente do resultado, façam uso frequente de líquidos para evitar a desidratação, e que não tomem qualquer tipo de remédio para dor, como aspirinas e anti-inflamatórios não hormonais. Caso a dor seja intensa, o mais aconselhável é a ingestão do medicamento paracetamol e procurar imediatamente atendimento médico.

A dengue é uma doença de comunicação obrigatória. Essa medida contribui para o controle efetivo da doença - efeito de políticas públicas - na cidade e otimização das atividades de prevenção.

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