Articulistas

Um mistério apaixonante

Gino Crês
| Tempo de leitura: 4 min

Como leitor assíduo e ousado colaborador desta coluna, tenho notado a preocupação de alguns assinantes, nestes dias, questionando a existência de Deus. Sem a pretensão de polemizar, atrevo-me a fazer algumas reflexões a respeito. Os antigos gregos tiveram uma cultura simplesmente estonteante. Nenhum povo, como um todo, superou-os na sabedoria. Ainda mais com os parcos recursos que possuíam. Sobre a existência de Deus não havia entre eles vacilação. Para eles, que descobriram a metafísica, havia pouco espaço para ateus, não como acontece nos dias atuais. Hoje, as pessoas mais "avançadas" não admitem nem uma nem outra coisa. Também o ser humano chegou a definir como o "microcosmos". Isto é, o Homem foi considerado por eles como o resumo de todo o universo. Nele, segundo seu conceito, estavam presentes o princípio espiritual (a inteligência e a vontade livre) e todas as perfeições da vida animal, vegetal e mineral. Mas por lhes faltarem as luzes da Revelação Divina, não chegaram a ter a ideia de "criação". A Bíblia revela que todo o cosmo foi uma obra do amor de seu Filho, e Nele também em nosso favor.

O Criador esbanjou sabedoria, amor e poder, ao constituir os átomos, as células, o DNA, as forças magnéticas, a diversidade de seres vivos. Esbanjou ao formar o planeta Terra, que até agora é o único local possível de haver vida complexa. Uma vez que fez outros planetas sem atmosfera, sem água, com calor excessivo, com frio insuportável, com rotação muito veloz ou lenta demais, por enquanto sobra apenas o nosso planeta-água, como centro de atenções divinas para abrigar a vida. Mas tudo isso não é nada, porque a maior obra do Pai Eterno é sim, a pessoa de Jesus. Neste, Ele simplesmente exagerou em perfeição. Basta olhar para este detalhe: Ele é uma Pessoa divina, tendo em si, perfeitamente harmonizadas, a natureza humana e a divina. Só mesmo o Espírito Divino pôde realizar isso, a ponto de uma natureza não anular a outra. Em momento algum, Jesus deixou de ser Deus ou deixou de ser Homem. Quando dizia "eu", havia perfeita autoconsciência. "Tu me teceste no seio materno (SL 139, 13). É impossível um ser racional ficar insensível diante dessa figura, que as Escrituras chamam de "Homem Perfeito" (Hb 7, 28). A Psicologia, a Filosofia e mesmo a Teologia têm diante de si um desafio a gastar os neurônios durante alguns milênios.

Um dia, no final de uma aula de português, um adolescente, todo afoito, veio ao meu encontro, e com ar de grande esperteza perguntou-me: "Professor, quem é que criou a Deus? Respondi-lhe afetuosamente que Deus não pode ser criado por ninguém. Se fosse, esse outro que o tivesse feito, seria o verdadeiro Deus. O jovem aluno ficou surpreso com a minha resposta.

O Ser Supremo é o único que pode ter existido sempre, porque Ele vive fora do tempo. Ele é um perpétuo agora. É o único Ser necessário. Os outros podem existir ou não. O tempo só começou com a criação.

Concluindo estas rápidas reflexões sobre a existência de Deus, gostaria de levar ao conhecimento do leitor este breve, significativo e verdadeiro fato ocorrido em 1892 com um famoso cientista cristão.

Um senhor de 70 anos viajava de trem, tendo ao seu lado um jovem universitário que lia o seu livro de ciências. O senhor, por sua vez, lia um livro de capa preta. Foi quando o jovem percebeu que se tratava da Bíblia e estava aberta no livro de Marcos. Sem muita cerimônia, o jovem interrompeu a leitura do velho e perguntou:

- O senhor ainda acredita neste livro cheio de fábulas e crendices?

- Sim, mas não é um livro de crendices. É a palavra de Deus. Estou errado?

- Mas é claro que está! Creio que o senhor deveria estudar a História Universal. Veria que a Revolução Francesa, ocorrida há mais de 100 anos, mostrou a miopia da religião. Somente pessoas sem cultura ainda creem que Deus tenha criado o mundo em seis dias. O senhor deveria conhecer um pouco mais sobre o que os nossos cientistas pensam e dizem sobre tudo isso.

- É mesmo? E o que pensam e dizem os nossos cientistas sobre a Bíblia?

-Bem, respondeu o universitário, como vou descer na próxima estação, falta-me tempo agora, mas deixe o seu cartão que eu lhe enviarei o material pelo correio com urgência.

O velho então, cuidadosamente, abriu o bolso interno do paletó e deu o seu cartão ao universitário: professor doutor Louis Pasteur, diretor geral do Instituto de Pesquisas Científicas da Universidade Nacional da França.

"Um pouco de ciência nos afasta de Deus. Muito nos aproxima". Louis Pasteur.

O autor, Gino Crês, é professor

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