Tóquio - Num raro dia de boas notícias desde a combinação de tremor e tsunami que atingiu o Japão em 11 de março, matando mais de 12 mil pessoas, montadoras japonesas anunciaram ontem a retomada de sua produção, e o governo suspendeu algumas restrições à venda de vegetais e leite.
Companhias aéreas também informaram que retomarão na próxima quarta suas atividades no aeroporto de Sendai, uma das cidades mais devastadas pelo tsunami - e que, desde a tragédia, vinha recebendo só voos de ajuda humanitária.
Anteontem, a mais forte réplica do terremoto de 9 graus de março, com magnitude 7,1, deixou quatro mortos, pelo menos 450 mil casas sem luz e provocou uma nova onda de ansiedade no Japão, com corrida aos supermercados e longas filas para comprar gasolina.
A Toyota, montadora que é líder global de produção e vendas, informou que retomará em dez dias as atividades em todas as suas fábricas no Japão, usando metade da capacidade. Cerca de 50% dos veículos vendidos pela empresa no mundo são feitos nas suas fábricas japonesas. Nissan e Honda também anunciaram que vão reabrir suas fábricas, igualmente funcionando com metade da sua capacidade.
Ontem, o Japão também decidiu suspender a proibição da venda de vegetais -como espinafre - produzidos na província de Gunma, a sudoeste da usina nuclear de Fukushima, que liberou altos índices de radioatividade depois de ser severamente danificada pelo terremoto.
Segundo o porta-voz do governo, Yukio Edano, as medições feitas nos vegetais nas últimas três semanas mostraram que os níveis de radiação estão abaixo do limite estabelecido por lei.
Após o tremor de anteontem, foi detectado vazamento de água radioativa na usina de Onagawa, que não fora danificada pelo primeiro terremoto. Segundo a administradora da usina, porém, a água ficou retida numa estrutura de contenção, e o nível de radiação não subiu. Ontem, um porta-voz do Ministério do Exterior da China expressou preocupação com o vazamento de água de Fukushima para o mar. Os chineses prometeram monitorar de perto as ações do Japão contra a crise nuclear e pediram aos japoneses informações "rápidas e precisas?? sobre o assunto.