Política

Superlotação de presídios preocupa muito

Por Wilson Marini | Rede APJ
| Tempo de leitura: 11 min

O governador Geraldo Alckmin (PSDB), durante a entrevista, manifestou grande preocupação em relação à superlotação dos presídios e os detentos que ainda estão em cadeias, mesmo já tendo sido julgados.

"Temos uma superlotação. Temos ainda 8 mil presos em cadeia, a ideia é zerar. A penitenciária superlotada é problema, mas na cadeia é mil vezes mais grave. Há alguns anos ouvi uma entrevista de um ex-penitenciário. Marília Gabriela perguntou o que ele viu de melhor e de pior no sistema. Ele respondeu que o melhor é a penitenciária de Pirajuí, ao lado de Bauru, que é uma fábrica-penitenciária, faz mesa, cadeiras. Todo mundo trabalha lá. E o pior é a cadeia. É como entrar no elevador lotado. Imagine morar num elevador lotado. São Paulo chegou a ter 30 mil presos em cadeia. Em quatro anos, não queremos mais ter preso em cadeia. São Paulo, Osasco, Guarulhos e Campinas não têm mais. Até dezembro, vamos zerar cadeia para mulheres. Em abril vamos inaugurar a penitenciária feminina de Tremembé com 768 vagas. O feminino de Guariba fica pronto no último trimestre deste ano. Ao todo, são 7.626 vagas no Estado, em 10 penitenciárias, 4 femininas. A do Tremembé é a primeira feminina, porque as outras são adaptadas."

O governador assume que o Estado enfrenta dificuldades nessa área. "De um lado, polícia na rua e a população carcerária aumenta, aí ninguém quer penitenciária. Por mais que a gente escolha um local retirado, fora da cidade, que não incomode, sempre tem restrição."

Mas o governador lembra que as cidades pequenas ganham com a geração de empregos. "Cerca de 500, fora os indiretos. Além disso estamos programando dar um apoio às prefeituras na área de saúde, escola técnica, estradas, repasses de recursos. Analisaremos caso a caso. Vamos fazer uma penitenciária em Registro. A proposta é que não seja para ninguém que não for da região. Temos 400 presos da região em São Paulo, serão eles, para manter perto da família."


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Qualificação profissional

Temos pessoas desempregadas e vagas que não são preenchidas por falta de qualificação. Não há operadores de máquinas, engenheiros. O Brasil forma 55 mil engenheiros por ano. A China, 3 milhões. Falta mão-de-obra especializada. Vamos expandir as três universidades - estamos estudando com os três reitores como expandir os campi da USP, Unesp e Unicamp. Vamos ter novas Fatecs e Etecs. Queremos levar a Engenharia da Poli para a Baixada. Temos a Unesp esparramada pelo estado, vamos dar uma ajuda. A ideia é reforçar a área de engenharia e tecnológica, computação e informática.

A novidade é o Via Rápida para o Emprego. A pessoa desempregada geralmente é a de baixa escolaridade. Quem está mais desempregado é que tem menor escolaridade. Para essa população que não tem ensino médio completo, cursos de 80, 100, 200 horas. Cortadores de cana, por exemplo. Somos o maior produtor mundial de açúcar e alcool. Pela lei ambiental, a partir de 2014 não pode ter mais queimada para preservar a qualidade do ar (meio ambiente). Vai ter que mecanizar, o que já vem acontecendo, porque não tem como cortar na mão sem queimada. O cortador de cana poderá fazer curso para pedreiro, motorista, operador, servente, em cada região, dependendo da demanda da região.

Em Marília, fizemos uma extensão da Fatec em Pompéia junto com a Jacto, Fundação Nishimura, curso de tecnólogo de mecânica em agricultura de precisão, só existe similar nos EUA. Para operar e manter essas máquinas, todas com GPS e computação embarcada, precisa ter gente preparada. É o primeiro do país. Vamos ter as jamantas móveis e os prédios fixos do Via Rápida para o Emprego. Começa a partir de junho."


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Educação

Temos um programa que fica completo em 60 dias. Vamos fazer convênios com as prefeituras. A criança de 0 a 5, a responsabilidade é da prefeitura, do município. Vamos passar o dinheiro para a prefeitura. R$ 1 bilhão em 4 anos. O professor Herman, secretário de Educação, está indo de região em região ouvir quem está na sala de aula.

Ensino fundamental do Estado: vamos aumentar as escolas em tempo integral e rever os ciclos. Eram dois, de 4 anos cada um. Agora, o ensino fundamental é de 9, vamos ter 3 ou 4 ciclos, aumentar o reforço escolar e a avaliação será bimestral. No ensino médio, é cada vez integrar o técnico, o ensino integrado. Quem fizer, faz os dois cursos.

Em relação aos professores, é contratar, fazer concurso público. Já chamamos 10 mil professores. E vamos chegar a 25 mil . Acelerar. Valorizar o professor. Capacitação permanente dos professores.

O Idesp referente ao ano passado no primeiro ciclo melhorou, da 1a. na 5a. série estadual. No segundo, teve uma pequena queda, e no ensino médio também. Vamos trabalhar para recuperar. Vamos fazer um esforço em todas as escolas, são 5.500. Estamos separando as 2 mil escolas com avaliação mais baixa e essas vão ter um esforço forte nelas, geralmente nas periferias das maiores cidades e nas regiões mais pobres. Basicamente aumentar reforço escolar e aluno de tempo integral, mais tempo na escola, capacitação de professor, material pedagógico."


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Saúde

Temos feito um esforço grande na fabricação de remédios com duas fábricas. A vacina contra a gripe vinha toda do Instituto Pasteur, na França. Este ano, 3 milhões de vacinas já vão ser produzidas em São Paulo pelo Instituto Butantan e a partir do ano que vem as 22 milhões de doses para atender o Brasil todo. No dia 30 de abril, começa a vacinação contra a gripe.

Vamos ampliar os Ames. Inauguramos o de Franca, o próximo será Barretos, outro ainda neste primeiro semestre, em Salto. Em Botucatu a prefeitura está licitando, Jundiaí já está ficando pronto...  Tem casos que dependem da prefeitura, eles entregam o prédio, nós inauguramos o AME. Em Sorocaba, a grande obra nossa será na área hospitalar. A prefeitura não adquiriu ainda o imóvel para a instalação da unidade. Ali será feito um prédio novo, de 12 andares, que vai aumentar de 60 a 70% de cirurgias para ser retaguarda para toda a região e quadruplicar o número de leitos. No Grande ABC, pretendemos fazer um trabalho voltado aos idosos. E na área de saúde do Estado, dois programas novos: um de Saúde Bucal, começando a ter serviço em todos os hospitais do estado. E a outra são as clínicas para dependentes químicos, usuários de drogas, alcoolismo. Pelo menos um de cada por região."


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Dengue

No primeiro trimestre do ano, a redução dos casos notificados de dengue caiu 86%. Em 2010, 108,2 mil pessoas contraíram a dengue nos três meses no Estado; este ano, 14,9 mil. A má notícia é que surgiu um tipo novo de vírus, tipo 4. Ninguém está imunizado para esse novo vírus, zerou a defesa. Começou no Norte do Brasil, foi para o Nordeste, desceu para a Bahia, Rio e apareceu um caso em Rio Preto. Não tem vacina, imagine-se que ainda leve uns cinco anos. Só tem um caminho, combater o mosquito, água parada. A dengue vai cair no inverno, mas no calor e chuva, volta. Temos que agir já para prevenir o próximo verão. Estamos com 25 mil agentes em todo o Estado, de casa em casa. E os meios de comunicação têm um papel importante porque 80% dos casos estão dentro da casa - quintal, latinha, vaso, caixa d?água não fechada, pneus, vasilha, água parada. Dengue 4 significa um esforço redobrado no casa a casa. Campanhas e mobilização. A Sucen está articulando com as prefeituras."


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Segurança pública

Há um conjunto de ações sendo desenvolvidas. A retirada do Detran da Segurança Pública para o Poupatempo visa melhorar a qualidade do serviço público, eficiência no atendimento à população, e libera 1.349 policiais para o trabalho de policiamento de rua.

Na semana passada se formaram 2.332 soldados a mais, vamos chegar a 95 mil PMs. No segundo semestre, mais 3 mil. Tínhamos 35,27 homicídios por 100 mil habitantes em 1999 e caiu para 10,47% ano passado. O Brasil é 26, o Rio 30. O Estado de São Paulo era em número de homicídios o quarto estado brasileiro, hoje é o 25.o. O que está duro de derrubar ainda é roubo e furto, mas em homicídios e latrocínios, a queda foi muito forte. A apresentação do índice de criminalidade era trimestral, queremos transparência absoluta, vamos ter mensalmente, o primeiro Estado brasileiro tudo na Internet. Era por município, vai ser aberto por distrito, no futuro poderá saber por bairro.

Estamos terminando concurso para escrivão e para investigador. Com o aumento do efeito da PM, vamos reforçar, tem cidade pequena que hoje têm 7 policiais com o mínimo de 11. Acabamos de autorizar a contratação de 140 delegados, e o Detran vai liberar 361. Até julho todo o Interior terá o BO pela PM. Hoje tem que ir no Distrito Policial. Aqui em São Paulo faz BO na PM em 7 minutos e na hora está na mesa do delegado, porque é on-line. Facilitar a vida das pessoas. O programa já começou na zona leste em São Paulo. A lógica é melhorar a eficiência, aproveitar melhor os recursos humanos. O cronograma: até 6 de maio, na Capital; 19/5, ABC e Mogi das Cruzes; 2/6, Guarulhos, Osasco, Franco da Rocha; 20/6, Vale do Paraíba e Baixada Santista; 8/7, Campinas e Piracicaba; 25/7, Ribeirão Preto e Rio Preto; 11/8, Bauru e Sorocaba; 18/8, Presidente Prudente e o resto do Estado."


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Faculdade de Bauru

Bauru é uma grande cidade, hospitais e o Centrinho. Tem condição de ter faculdade de medicina, assim como Araçatuba, que ocupa um espaço geográfico importante. Temos cidades bem menores no Estado que têm faculdade de medicina. Nós vamos ajudar, apoiar junto à Unesp. No caso de Bauru, pode ser USP ou Unesp. O Ministério da Educação tinha dado uma freada (na abertura de faculdades de medicina). Mas ambos os casos são factíveis e importantes. O que precisamos é um trabalho junto ao Ministério da Educação porque havia resistência de abrir novos cursos."


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Pingue-pongue sobre política


APJ - Aliados dizem que o sr. é mais centralizador que Serra, o sr. concorda?

Geraldo Alckmin - Imagine. Não, não é isso. Aprendi que se você acompanhando paripasso, das 6 da manhã às 11 da noite, em cima do pessoal, ainda precisa dar um empurrão, imagine se você centralizar... Não anda. Tem que delegar e cobrar.


APJ - O sr. recebeu do Serra um Estado melhor do que entregou?

Alckmin - São Paulo está sempre melhorando. Covas me entregou o governo em melhor situação, eu passei pro Serra em melhor situação, o Serra passou para mim... Interessante isso, São Paulo tem melhorado, gestão a gestão.


APJ - Há possibiildade do Serra ser seu secretário?

Alckmin - Se ele quiser... O Serra nos honraria muito se participar. Não posso responder por ele, seria uma indelicadeza, mas ele é um dos melhores quadros da política brasileira.


APJ - A questão do Afif e do Kassab foi a maior dificuldade até agora do seu governo, uma saia justa?

Alckmin - As pessoas têm todo o direito de criar partido, isso é uma decisão interna dos democratas.


APJ - O Kassab disse que ele é um aliado do sr. O sr. o considera um aliado?

Alckmin - Pode contar comigo integralmente. Temos ene parcerias na cidade de São Paulo em benefício da população.


APJ - Isso não é um contrassenso? Aliado do governo federal, que é do PT, e aliado do PSDB em São Paulo?

Alckmin - Só posso responder pelo meu partido. O PSDB é oposição ao governo federal, porque entendemos que o Brasil não tem vocação para partido único. A essência da democracia é o equilíbrio. Quem ganha, governa. Quem perde, fiscaliza. Se todo mundo virar governo, acabou a lógica da democracia. Quem perde, fiscaliza, e se prepara para a alternância do poder. Nós do PSDB reunimos os oito governadores sábado e vamos colaborar para que o PSDB pense o Brasil, tenha as melhores propostas para o País, fiscalize o governo federal. E não há contradição em sermos parceiros na questão administrativa. Acabou de almoçar comigo o presidente da Petrobrás; há 20 dias estive com a presidente Dilma. O Brasil é uma república federativa. O que caracteriza a federação? A cooperação entre os entes federados. Recebo prefeito do PT, do PSDB, do PMDB... Trabalhamos juntos. Sob o ponto de vista político, tem que é governo e tem que é oposição.


APJ - Que avaliação o sr. faz dos 100 dias do governo Dilma?

Alckmin - Eu torço por ela. Importante que ela vá bem. No que São Paulo puder ajudar, ela vai contar com São Paulo, que é parceiro no desenvolvimento brasileiro.


APJ - Goldman e Serra reclamaram de dificuldades de parcerias com o governo Lula; com Dilma, é mais fácil uma parceria, o sr. está mais otimista agora?

Alckmin - Eu sempre sou otimista. Juscelino Kubistchek dizia que os otimistas podem errar, mas os pessimistas começam errando."


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EXPEDIENTE

A Rede APJ - Associação Paulista de Jornais é formada pelos seguintes veículos: Comércio da Franca, Cruzeiro do Sul (Sorocaba), Diário da Região (S. José do Rio Preto), Diário do Grande ABC (Santo André), Folha da Região (Araçatuba), Jornal da Cidade (Bauru), Jornal de Jundiaí, Jornal de Limeira, Jornal de Piracicaba, O Diário (Mogi das Cruzes), O Imparcial (Presidente Prudente), O Liberal (Americana), O Vale (S. José dos Campos) e Tribuna Impressa (Araraquara).

A entrevista com o governador Geraldo Alckmin (PSDB) foi feita na quarta-feira, 6 de abril, em seu gabinete, no Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo.

Participaram como entrevistadores os jornalistas Aurélio Alonso (Jornal da Cidade), Cláudio de Souza (O Vale), Marcelo Andrade (Cruzeiro do Sul), Roberto Silva (Diário do Grande ABC) e Wilson Marini (Rede APJ).

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