Bairros

Em meio a epidemia de dengue, lixo recolhido supera 100 toneladas

Bruna Dias
| Tempo de leitura: 7 min

A quantidade e variedade de material inservível que acaba virando lixo e criadouro para o mosquito Aedes aegypti, vetor da dengue, preocupa cada vez mais as autoridades municipais. Ontem foram confirmados mais 77 casos da doença em Bauru, somando 1.590 desde o início do ano.

Enquanto isso, assessoria de imprensa da prefeitura divulgou balanço mostrando que, desde o início da megaoperação de combate à dengue desencadeada em 14 de março, já foram coletadas 103 toneladas de possíveis criadouros do mosquito em residências de 15 bairros da cidade.

Os agentes de controle de endemias têm trabalhado incansavelmente, sem folgas, para retirar o lixo das residências, evitando que as pessoas sejam acometidas pela doença e transmitam a outras. Mesmo assim, o número de casos não para de aumentar. O questionamento é: essas ações têm surtido efeito? Sim, do ponto de vista de onde começa e termina a responsabilidade da Secretaria Municipal da Saúde.

O grande problema que vem sendo discutido e analisado em várias matérias veiculadas pelo Jornal da Cidade é que a população não tem colaborado com a ação e continua a juntar entulho nas residências e a jogar lixo nas ruas, como já foi dito pelo secretário municipal da saúde, Fernando Monti, pelo diretor substituto do Departamento de Saúde Coletiva (DSC) Flávio Tadeu Salvador e pelo coordenador da megaoperação contra a dengue, Mário Ramos.


Conscientização


O JC revelou recentemente que as pessoas têm o costume de guardar esses materiais inservíveis - como os recicláveis - para revender posteriormente, principalmente a população de baixa renda. Os agentes já encontraram larvas do mosquito em nove vasos sanitários que estavam ao ar livre no quintal de uma residência no Parque Santa Edwirges.

No mesmo bairro, onde há um grande número de casos da doença, uma única casa guardava quase um depósito de criadouros de larvas do Aedes aegypti. Neste local, foram retiradas três toneladas de lixo.

O total recolhido até o momento representa nada menos do que quase a metade da quantidade de lixo domiciliar recolhida diariamente pela Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural (Emdurb), que totaliza 220 toneladas. Ou seja, a população acumula tanto lixo quanto joga no aterro sanitário. Essa ?equação? deveria ser somente direcionada ao lixo dispensado tratando-se de dengue, patologia urbana que tem o homem como maior proliferador e causador de epidemias.


Lixo pela cidade


Muitos ainda questionam: e o lixo espalhado pela cidade? Este é outro problema que também não consegue ser cessado com o trabalho das varredoras da Emdurb. A população precisa, de fato, acordar para o problema e colaborar. Além de falta de higiene, jogar lixo nas ruas causa o entupimento de bueiros que desembocam nos assustadores alagamentos em época de chuva.

Sem saber o que fazer com a situação, a parte conscientizada da população bauruense busca formas de evitar o mosquito. O Jornal da Cidade recebeu uma série de sugestões que podem dar certo, já que os inseticidas não devem ser usados desenfreadamente porque o mosquito torna-se resistente com facilidade.

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Borra de café


Colocar borra de café no lugar de areia em pratos de vasos de plantas pode matar a larva do mosquito? Sim e existe até uma pesquisa feita por uma estudiosa da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Alessandra Laranja que comprova. Mas essa não é a melhor indicação, segundo Flávio Tadeu Salvador, diretor substituto do Departamento de Saúde Coletiva (DSC) de Bauru.

"Nós abolimos essa medida de colocar areia em pratos de vasos com plantas pelos seguintes motivos: o vaso é preto e dificulta ver as larvas, a areia também pode juntar água e acumular umidade, o que se torna o ambiente perfeito para o mosquito da dengue. Então, se a pessoa tem o prato em xaxim ou samambaia, nós recomendamos que eles sejam furados", disse.

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Peixes comedores de larvas?


Em São José do Rio Preto, a Prefeitura Municipal recomendou o uso de peixes ornamentais como o beta e o guaru, mais conhecido como ?barrigudinho?, para acabar com as larvas do Aedes. Segundo Flávio Tadeu Salvador, diretor substituto do DSC de Bauru, essa medida pode ser adotada em alguns casos.

"Temos que pensar que nós não podemos colocar peixes em calhas, por exemplo. Esses peixes são os que mais comem larvas do mosquito da dengue, então ele pode ser utilizado em casos extremos como por exemplo em piscinas de casas abandonadas que estão com problemas de ação judicial", esclareceu.

Em Bauru a medida já foi adotada há cerca de cinco anos, revelou Flávio. O problema eram tanques utilizados por uma construtora no bairro Aimorés. Como a empresa saiu da cidade e deixou o local abandonado, agentes conseguiram autorização para entrar lá e colocar os peixeis guaru dentro dos tanques para se alimentarem das larvas do mosquito ali existentes.

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Xô, zumbido!


Você certamente já acordou no meio da noite com um pernilongo zumbindo em seu ouvido. Tudo isso acontece porque os pernilongos são atraídos pelo gás carbônico que exalamos na respiração e curiosamente pelo "chulé", segundo Flávio Tadeu Salvador, diretor substituto do DSC de Bauru.

Para evitar os pernilongos em geral é importante, além de boa higiene, usar repelente. Algumas medidas, como misturar vitamina B12 a hidratantes, não são comprovadamente eficazes e podem causar alergias.

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Citronela é bom


As velas, incensos e vaporizadores com essência de citronela são imbatíveis para ?espantar? o mosquito Aedes aegypti. Essências e velas de andiroba também são encontradas no mercado e surtem o mesmo efeito além de serem naturais e não apresentarem danos à saúde como os inseticidas.

Flávio Tadeu Salvador, diretor substituto do DSC de Bauru, conta que empresas de Bauru tinham problemas com mosquitos e plantaram citronela nos arredores, o que evitou a chegada dos visitantes indesejáveis. Outra planta que repele o Aedes é a crotalária. Essa planta atrai muitas libélulas que se alimentam do néctar de sua flor.

"E a libélula é predadora de insetos como o pernilongo. E como ela voa durante o dia, acaba ingerindo o Aedes também e sendo uma predadora natural do vetor da dengue", explica.

O curioso é que a libélula sente a mesma necessidade do que o mosquito da dengue: botar seus ovos em recipiente com água. As larvas da libélula se alimentam das larvas do Aedes aegypti. No entanto, para tomar essas medidas deve-se ter muita cautela para não desequilibrar o ecossistema.

Por exemplo, indica-se plantar citronelas e crotalárias em ambientes abertos como chácaras e cemitérios, evitando ecossistemas fechados.

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Zona rural


A Secretaria Municipal de Agricultura e Abastecimento (Sagra) informou em nota que inicia hoje uma campanha de prevenção à dengue na zona rural. A campanha será desenvolvida em diversas propriedades localizadas na área rural, sendo que a prioridade é para as regiões mais populosas como o Patrimônio de Rio Verde, Barra Grande e Sítios Reunidos Santa Maria.

Durante aproximadamente 15 dias, técnicos da Sagra irão percorrer esses locais distribuindo panfletos, verificando possíveis criadouros e orientando a comunidade do campo sobre como evitar a proliferação do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue e febre amarela.

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Bromélias


Para os amantes das plantas, é importante ter atenção redobrada com as bromélias. Elas já foram protagonistas do surto de dengue em um condomínio fechado em Bauru por falta de cuidados, virando criadouro do mosquito Aedes aegypti. Flávio tadeu Salvador orienta que a única solução para evitar que a planta vire criadouro, já que necessita de água constantemente, é trocar essa água lavando a planta ao mesmo tempo com uma máquina de alta pressão ou mangueira que tenha um esguicho mais forte.

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Chuva adia nebulização


As chuvas de ontem adiaram a nebulização no período noturno. Os agentes também não tiveram condições de continuar as visitas aos imóveis e seguem a programação no Jardim Petrópolis e Jardim TV hoje. A nebulização continua suspensa.

A Saúde mantém a orientação para que os moradores não depositem o material inservível nas calçadas ou nas vias. Os agentes devem ser recebidos em seus imóveis e estes é que irão retirar o material a ser recolhido pelos caminhões, evitando, assim, a proliferação de lixo nos bairros.

Os coordenadores da operação orientam as famílias para que após as visitas dos agentes, o ideal é que os responsáveis pelos imóveis mantenham o trabalho realizado, colaborando efetivamente para o controle da doença.

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