Turismo

Família Braga rumo às Américas

Luiz Beltramin
| Tempo de leitura: 3 min

"Crescemos ouvindo essa história por pelo menos dez anos. Chegou a hora". A frase, de Caio Braga sintetiza toda expectativa que sua família inteira viveu nesta semana, a última antes deles, literalmente, caírem na estrada e percorrerem 17 países nas três Américas.

A bordo de uma caminhonete Ford Explorer, fartamente equipada com GPS, câmeras de vídeo em alta definição, telefone e Internet e rastreador via satélite, mas, principalmente, espírito de aventura, o empresário e pecuarista José Faraco Braga, o "Beto", a esposa Márcia Turini Braga e os filhos Caio e Renato passarão dois anos entre o calor da selva tropical, aridez de desertos e o gelado "pré-glacial" dos extremos sul e norte continentais.

Parte do projeto de resgatar a memória do feito heróico de Leônidas Borges de Oliveira, Francisco Lopes da Cruz e Giuseppe Mário Fava ? brasileiros desbravadores dos caminhos que geraram a atual rodovia internacional - a família bauruense sairá da "Sem Limites" neste sábado, percorrerá toda a América Latina, Estados Unidos e Canadá até chegar ao Alasca.

Eles retornam ao Brasil de Navio e, após atracarem no Nordeste, descerão, novamente por meio rodoviário, até Ushuaia, na Patagônia argentina, último limite da América do Sul. Ao todo, mais de 60 mil quilômetros serão percorridos pelos quatro, que, nos Estados Unidos, ainda ganharão a companhia da filha Bárbara, que mora nos Estados Unidos, e, ao lado do noivo Ricardo Gouveia, viajará em parte do itinerário, a partir da cidade onde vive, Fort Laudedale, na Flórida.

O trajeto bem como todos os detalhes logísticos, geográficos e financeiros foram meticulosamente planejados pela família, em especial pelo "comandante" Beto, que realiza o sonho de percorrer a América de carro justamente ao lançar o livro "O Brasil entre as três Américas" (Canal 6 Editora, 336 páginas), que conta a saga dos três desbravadores que percorreram o continente a bordo de dois automóveis "Ford T", época em que estradas ainda eram "coisa de outro mundo" para boa parte dos países visitados.

Além de traçarem a rota, com apoio do então presidente da república, Washington Luís, o trio ainda se deparou, durante a viagem de dez anos, com figuras mundiais, como o revolucionário da Nicarágua Augusto César Sandino, Eliot Ness (agente do FBI famoso por prender o mafioso Al Capone), Henry Ford e foram recebidos na Casa Branca pelo próprio presidente norte-americano, Franklin Delano Roosevelt, que reconheceu formalmente o feito.

Essa é parte da história a que Caio se referia no início da reportagem. Oitenta anos depois, eles estão prontos para escrever uma nova história pelas Américas, sem, entretanto, deixar o passado esquecido.

Pelo contrário, um dos motes da nova expedição, segundo o memorialista e agora escritor Beto Braga, é justamente valorizar a saga do trio, passando pelo máximo de pontos em comum nos roteiros, o que inclui os jornais, ainda em atividade, visitados pelos expedicionários dos anos 1920, onde serão deixadas cópias do livro lançado por Braga.

A obra foi apresentada oficialmente em Bauru anteontem à noite, ocasião em que o autor autografou cópias para convidados e exibiu a caminhonete que será usada na expedição a partir do próximo final de semana. Apaixonado por automóveis e história ? guarda de tudo, desde documentos a uma vastidão de objetos, numa espécie de "museu para o futuro" ? Beto conta que o espírito de aventura está no DNA, algo herdado de outras gerações da família. "Ele tem rodas no pé", diverte-se a esposa Márcia. "Adoramos viajar e, especialmente para esta ocasião, conto os segundos para que aconteça logo", confessa. "Sempre gostei muito de estrada. Sou um viajante por natureza", acentua Beto, que, nesta semana, será entrevistado no programa do apresentador Jô Soares, da TV Globo. A data de exibição, entretanto, ainda não foi divulgada.

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