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Jesus, um homem de atitudes imprevisíveis

Gino Crês
| Tempo de leitura: 3 min

Estamos em plena Semana Santa. Quero com os leitores rememorar "O Domingo de Ramos" quando Jesus Cristo justifica o título dessa reflexão. Quando na Terra, Jesus arrastava multidões e discípulos ávidos por seus ensinamentos. Após ter percorrido por um longo período toda a região da Galiléia, inúmeras pessoas continuavam a segui-lo. Agora, havia chegado o momento de entrar pela segunda e última vez em Jerusalém, o grande centro religioso e político de Israel. Naquele momento, Jesus estava no auge da sua popularidade. As pessoas estavam eufóricas e o proclamavam como rei de Israel. Alguns discípulos, que àquela altura ainda não estavam cientes de seu desejo, até disputavam quem seria o maior se ele conquistasse o trono político. Os discípulos e as multidões estavam extasiadas. Entretanto, mais uma vez ele teve uma atitude imprevisível que chocou a todos.

Quando todos esperavam que ele entrasse triunfalmente em Jerusalém, com uma grande comitiva e pompa, tomou uma atitude clara e eloquente que demonstrava que rejeitava qualquer tipo de poder político, pompa e estética exterior. Ele mandou alguns dos seus discípulos pegar um pequeno animal, um jumentinho, e teve a coragem de montar naquele desajeitado animal. E foi assim que aquele homem superadmirado entrou em Jerusalém.

Nada é mais satírico e desproporcional do que o balanço de um homem transportado por um jumento... O animal é forte, mas é pequeno. Quem o monta não sabe onde colocar os pés, se os levanta ou os arrasta pelo chão. Que cena impressionante! As pessoas, mais uma vez, ficaram chocadas com o comportamento de Jesus. Mais uma vez ficaram sem entendê-lo. Os seus discípulos, que estavam tão eufóricos com tanto apoio popular, receberam um "balde de água fria". Porém, as pessoas confusas e ao mesmo tempo admiradas, colocavam suas vestes sobre o chão para ele passar e o exaltavam como o rei de Israel.

Elas queriam proclamá-lo um grande rei e ele demonstrava que não queria nenhum poder político. Queriam exaltá-lo, mas ele expressava que, para atingir seus objetivos, o caminho era a humildade, era preciso aprender a se interiorizar. Jesus propunha uma revolução que se iniciava no interior do homem, no secreto do seu ser, e não no exterior, na estética política. É impressionante, mas ele não se mostrava nem um pouco preocupado, como geralmente ficamos, com a aparência, poder, "status" social e opinião pública.

Jesus estava no ápice do seu sucesso social, todavia, ao invés de se colocar acima dos outros, ele desceu todos os degraus da simplicidade e do despojamento, e deixou todos perplexos com sua atitude. Se caminhasse a pé, seria mais digno e menos chocante. Porém, ele preferiu subir num pequeno animal para estilhaçar os paradigmas das pessoas que o contemplavam e abrir as janelas das suas mentes para outras possibilidades.

Qualquer político, eleito, entraria com mais pompa na sede do seu governo. A personalidade de Jesus foge aos parâmetros da imaginação. Em alguns momentos, expressava uma grande eloqüência, coerência intelectual e segurança e, em outros, dava um salto qualitativo e expressava o máximo da singeleza, resignação e humildade.


O autor, Gino Crês, é professor e colaborador de Opinião

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