Esportes

Futebol Amador: Distritais abandonados

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 3 min

A bola já rola no Campeonato Amador da Liga Bauruense e logo outras competições do gênero se iniciarão, aumentando a necessidade de manutenção dos vários estádios distritais espalhados pela cidade. Mas como estão as atuais condições das praças esportivas onde as partidas já estão sendo realizadas? E as que ainda serão palco desses jogos? A reportagem do JC vistoriou, na última sexta-feira, alguns desses locais a fim de checar o seu estado e constatou que o cenário não é nada animador. Pelo contrário. É preocupante. E muito. Especialmente para uma cidade que terá grandes desafios a enfrentar nos próximos anos, como a realização dos Jogos Abertos do Interior (JAIs) em 2012, com projeção de recepcionar mais de 5 mil pessoas entre atletas e comissões técnicas, e as pretensões de hospedar uma seleção de futebol para a pré-temporada da Copa do Mundo do Brasil em 2014 e convidar atletas de alto rendimento a virem treinar em Bauru para as Olimpíadas.

Os estádios distritais Toninho Guerreiro, que no ano passado a Secretaria Municipal de Esportes e Lazer (Semel) se vangloriou de ter devolvido para a população, e o José Carlos Galvão de Moura, no Gasparini, são exemplos disso e das precárias e deploráveis condições de conservação. Quem adentrar ao Toninho Guerreiro se surpreenderá com o nível de depredação do lugar. Pichações, lixo, entulho, poda de árvores. A ponta da arquibancada de concreto, do lado direito, está cedendo. Ao lado, a cerca de arame está destruída e uma erosão ameaça evoluir. O gramado está cheio de falhas. O muro, feito de placas, parece uma "boca banguela".

Uma cena reveladora do estado de abandono é o portão principal fechado ? com arame ? sem que ao lado exista um muro. Quem percebe isso poderia imaginar que o distrital do Mary Dota estaria fechado por questões de segurança. Entretanto, no último domingo, Nacional e Azulão e Nova Bauru e Milan jogaram no Toninho Guerreiro e, no domingo retrasado, já foi realizada a rodada de abertura do Amador da LBFA nestas condições deploráveis.


No Gasparini


O distrital José Carlos Galvão de Moura, no Gasparini, fica na rua dos Açougueiros, avenida de duas pistas tomada por mato em toda a extensão do calçamento do distrital, até a última sexta-feira, quando o JC visitou o local. O ponto de ônibus próximo ao portão principal desapareceu. Na parte interna, havia montes de lixo, dando a entender que alguém fez uma varrição. O campo sumiu e virou um pasto. O mato fez desaparecer uma escadaria do lado esquerdo da arquibancada, próximo ao portão principal. O lugar onde antigamente funcionava as bilheterias teve a porta substituída por uma parede de concreto e não há um vidro nas janelas. Os banheiros estavam uma verdadeira "nojeira".

O morador Paulo Peres, residente no bairro há 26 anos, comenta que o último corte de grama do campo de futebol foi feito por trabalhadores que aparavam grama na rodovia nas proximidades e foram contratados para a empreitada por um representante da Associação de Moradores do bairro. Os frequentadores comentam que após o encerramento do Amador, no ano passado, isso há cerca de seis meses, ninguém mais se preocupou com a manutenção do espaço de lazer.

Desta forma, com a ausência do poder público municipal, abre-se espaço para outros segmentos ocuparem as praças esportivas para práticas não tão sadias como seria a do futebol, hoje improvável. E a população, que já tem pouco interesse nos aparelhos públicos e percebendo movimentação desfavorável ao convívio social, afasta-se ainda mais.

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