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O aeroporto de Bauru decola?

Archimedes Raia Jr.
| Tempo de leitura: 2 min

O aeroporto de Bauru foi inaugurado em maio de 2006, com pista de 2,1 km, e era uma antiga reivindicação da cidade e região, que dispunha apenas do tradicional e precário ae-ródromo do Aeroclube. Apesar de charmoso e histórico, o aeródromo localizado no coração da cidade era incompatível com o movimento ae-roviário, devido, principalmente, à extensão de sua pista, de apenas 1,2 km, o que impossibilitava operar com aeronaves maiores.

Depois de tantas idas e vindas, foram aprovados a localização e o projeto do aeroporto na divisa de Bauru e Arealva, fruto de um profundo estudo. Não se pode esquecer o árduo trabalho do então deputado Roberto Purini, para que este sonho bauruense se concretizasse. As epopéias para a sua viabilização foram relatadas em seu livro "Novo aeroporto de Bauru: uma importante conquista", de 1998.

Lembro-me ainda criança da "distância" entre o centro da cidade e o antigo aeródromo. Pegávamos a bicicleta e nos aventurávamos em uma "viagem" até o Aeroclube. Ao longo do tempo, ele foi abraçado pelo crescimento urbano e se tornou inviável, segundo as normas operacionais e de segurança hoje vigentes.

O novo aeroporto aí está, é uma realidade. Diversos problemas ainda são constatados. Alguns são absurdos. Quanto tempo passará para que ele possa operar por instrumentos? Viagens canceladas, vôos atrasados, pousos de emergência, tudo isto provoca uma enorme irritação nos usuários. O que fazer?

Não se pode execrar o terminal. Ele, mesmo aos trancos e barrancos, demonstra a sua importância. Vejamos. Desde 2007, o número de pousos de decolagens e embarque/desembarque cresceu, respectivamente, 13% e 74%; a carga aérea transportada aumentou em 78%.

A demanda por serviços de transportes aéreos pode ser influenciada por vários fatores: gosto do consumidor; relação entre o preço do bem ? quanto maior, menor será a sua procura; relação de seu preço com o preço de serviços substitutos (transporte rodoviário por ônibus e automóvel); e relação de seu preço e o poder de compra do consumidor.

Dessa forma, como em qualquer outra área da economia, os serviços de transportes não monopolizados precisam ser viabilizados de maneira concorrencial, ou seja, cada modo de transporte disponível precisa atender e surpreender as expectativas do consumidor para ganhar ou ampliar a sua fatia no mercado.

No caso do transporte aéreo em Bauru, é preciso que companhias aéreas, DAESP-Departamento Aeroviário do Estado de São Paulo, poder público municipal e regional, entidades representativas (FIESP, ACIB, dentre outras) trabalhem em conjunto visando tornar este serviço realmente atrativo e competitivo. Não adianta chorar sobre o leite que é derramado; é preciso trabalhar para que ele não caia.


O autor, Archimedes Raia Jr., é engenheiro, mestre e doutor em Engenharia de Transportes pela USP, coordenador do Grupo de Estudos em Transportes, Trânsito e Logística/CNPq, professor da cadeira de Transportes da UFSCar, E-mail: raiajr@ufscar.br

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