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A morte de Bin Laden, um personagem de HQ

Henrique Perazzi de Aquino
| Tempo de leitura: 3 min

Nada me tira da cabeça que Bin Laden sempre foi um mero personagem, mais fictício que real, dentro da intrincada trama de dominação a nos fazer a cabeça. Tudo o que Bush necessitava quando a queda das torres gêmeas era algo impactante, tornando mais fácil, palatável a degustação pelos norte-americanos e resto do mundo da implantação do que acreditava ser necessário, o seu modo de dominar o mundo. E assim foi feito. As torres caíram e o serviço sujo foi executado na acepção da palavra, sem tirar nem por. Uma vergonha para o mundo. Restrição de liberdades dentro dos EUA e um fazer o que quiser no resto do planeta. Assistimos todos calados e a grande maioria referendando o que foi feito.

O que está feito está feito, não volta atrás. Analiso friamente tudo o que vi e li sobre Bin Laden. Família abastadíssima, amigo e leal escudeiro dos interesses dos EUA quando da guerra no Afeganistão e, depois, como num passe de mágica, o algoz, o inimigo número um do mundo. Tem alguma coisa mal explicada e ainda não entendível nessa história. Talvez um Wikileaks daqui a uns 30 anos nos explique isso. Hoje, ficamos com as explicações oficiais. O fato é que nenhuma foto ou imagem nova do tal do Bin foi divulgada desde a queda das torres. Todas as informações estão no campo do imaginário. Compramos tudo da forma como nos é passado.

Nos noticiários nesse final de semana, algo sobre isso. "Também os super-heróis se cansam do American Way", diz o título. É que o personagem Super Homem, emérito defensor dos fracos e oprimidos acaba de renunciar à cidadania norte-americana. "Cansado de ter minhas ações interpretadas como instrumento da política dos EUA. Verdade, Justiça e o American Way ? isso não é mais o suficiente", são as palavras de quem por 73 anos esteve combatendo os inimigos declarados dos interesses de Washington. Isso ocorreu após apoio deste a manifestantes iranianos, com chamada de atenção vinda lá dos corredores da Casa Branca, causando aquilo que eles sempre denominam de incidente diplomático.

Escrevo sobre Super-Homem, pois como afirmo lá em cima, nada me tira da cabeça ser Bin Laden mais um personagem, não de carne e asso, mas construído, elaborado artificialmente e jogado goela abaixo de um mundo cada vez menos contestador e questionador. Como é fácil viver alheio a tudo isso, ainda mais com a quan-tidade de contas a serem pagas sobre a mesa (vou lá eu me preocupar com algo desse tipo). Já pessoas inquietas, a verem pulgas atrás da orelha de qualquer coisa, estão vendo aqui um grande motivo para alavancar a candidatura de Obama na campanha pela reeleição, igualzinho ao que Bush fez com o caso das torres. Já vimos esse filme, mas como para tudo nessa vida é necessário uma explicaçãozinha que seja para elucidarmos essa história, deixo uma pergunta no ar: cadê o corpo do Bin?


O autor, Henrique Perazzi de Aquino, é professor de história e blogueiro - www.mafuadohpa.blogspot.com

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