A madrugada violenta ontem em Bauru resultou no cruel assassinato de uma garota de apenas 17 anos. Cristiane Silva Souza foi achada de manhã por um morador do Jardim Manchester, já sem vida, caída em um trecho de terra com matagal que toma a quadra 7 da rua Flávio Aredes Lopes. Segundo informações da Polícia Militar (PM), a adolescente estava despida da cintura para baixo e apresentava lesões com sangue na boca, além de um hematoma em um dos olhos. Este foi o 11.º homicídio do ano na cidade.
Os motivos que levaram ao crime ainda são investigados, mas tudo indica que Cristiane foi violentada antes de ser morta. Cogita-se ainda a possibilidade dela ter sido levada até o matagal de carro e arrastada pelo veículo, pois no local há muitas marcas de pneus, parecidos com os de uma caminhonete.
As hipóteses levantadas ganham força através do relato de um morador que reside ao lado do matagal e localizou o corpo de Cristiane logo cedo. Ele contou que ouviu, por volta da meia-noite de anteontem, barulhos vindos de uma caminhonete.
"Ouvi batidas de porta e, em seguida, o veículo saiu numa arrancada, acelerando bastante, mas não vi nada, nem ouvi gritos", comentou o morador, que teve sua identidade preservada pela reportagem.
Logo no início da manhã de ontem, quando saía para trabalhar, ele avistou o corpo da jovem caído na rua e acionou a polícia.
A família informou que Cristiane sofria de distúrbios mentais e ultimamente ficava vários dias fora de casa, sem comunicar os pais. Há suspeita, ainda, de que ela fosse usuária de entorpecentes.
Pistas
Segundo informações do capitão da 4.ª Companhia da Polícia Militar (PM) de Bauru, Jorge Luís Dias, é provável que a adolescente tenha sido arrastada por cerca de 50 metros pela suposta caminhonete.
"Mas ela não foi somente arrastada, pois há sinais de violência no rosto. Ela estava nua da cintura para baixo e as roupas, que foram encontradas a 20 metros de seu corpo, podem ter saído conforme ela foi arrastada, mas há também a hipótese de estupro", informou.
As pistas encontradas irão ajudar a polícia a desvendar a maneira como ocorreu o crime, mas exames e laudos técnicos ainda deverão fornecer informações mais precisas. "Em princípio, vamos registrar o caso como homicídio simples, mas os laudos do Instituto Médico legal (IML) e da Polícia Científica poderão dizer melhor de que maneira a garota foi morta. Por estar sem as vestes quando foi localizada, ela pode ter sido estuprada antes de ser assassinada", diz a delegada plantonista Luciana Claro Rodrigues, que esteve no local.
As investigações seguem sob a responsabilidade da Delegacia de Investigações Gerais (DIG). O delegado Carlos Alberto Gomes da Rocha Silva diz que o laudo do IML deve sair em até 30 dias.
?Eu tentei ajudá-la?, diz a mãe da jovem
Quando a polícia chegou ao local da denúncia do assassinato ontem, no Jardim Manchester, ainda não havia informações sobre a identidade da vítima. Aos poucos, populares se aglomeraram para buscar informações.
A mãe e o padrasto da jovem assassinada, que moram a poucas quadras de onde a garota foi achada, logo suspeitaram que o corpo poderia ser de Cristiane Silva Souza.
Após cerca de uma hora, a suspeita foi confirmada pela própria mãe, que reconheceu a filha. Os nomes dos demais familiares estão sendo preservados pelo JC para evitar constrangimentos.
Cristiane tinha 17 anos e morava em Bauru há poucos anos. A jovem veio morar na cidade com a família, que antes residia no município de Jundiaí.
"Eu vim para uma cidade menor achando que as coisas seriam mais fáceis. Mas foi aqui que ela acabou se perdendo. Eu tentei ajudá-la", lamentou a mãe, muito abalada pelo ocorrido.
Segundo o padrasto, Cristiane tinha distúrbios mentais. "A mãe tentou levá-la para fazer tratamento na Apae (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais), mas ela era difícil, não queria. Então ela começou a ficar muito agressiva de uns tempos para cá, largou a escola e saía de casa sem dar notícias. Chegou a ficar 16 dias fora de casa", contou.
Além de abandonar os estudos, a adolescente acabou engravidando com apenas 16 anos. O bebê, de apenas 4 meses, está sob os cuidados da avó materna.
A família de Cristiane ainda relatou que a garota frequentava bairros como Ferradura Mirim e que poderia estar envolvida com drogas e criminalidade, mas não confirmou o fato.
Vizinhos da família alegaram que Cristiane tinha um comportamento imprevisível. "Um dia ela estava educada e calma, outro dia se mostrava agressiva. A mãe tentou buscar ajuda para conseguir tratamento para ela em vários locais, mas não conseguia, faltou mais apoio", disse uma das vizinhas, que teve sua identidade preservada.