Política

Acordo com oposição "reabre" Câmara

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 3 min

A paralisação das votações na Câmara Municipal de Bauru, gerada pela indisposição dos vereadores em assumir a segunda secretaria da Mesa Diretora e pelo isolamento político do presidente Roberval Sakai (PP), teve desfecho no fim da tarde de ontem com a indicação de Chiara Ranieri (DEM) para ocupar a cadeira deixada pelo seu companheiro de partido, José Roberto Segalla. Com o acordo, além de não ter de renunciar à presidência, Sakai garante seu partido, o PP, junto com os oposicionistas na eleição de 2012.

Após idas e vindas na direção tanto governista quanto da oposição, o presidente da Casa agora terá que se alinhar ao grupo contrário ao governo Rodrigo Agostinho (PMDB), não apenas nas votações no plenário, como também no processo eleitoral. Haverá boa vontade em relação ao comportamento de Carlinhos do PS, outro vereador do PP. Mas demistas e tucanos, com apoio do PPS, serão implacáveis com Sakai se este voltar a dar qualquer aceno de proximidade com o prefeito.

Esta decisão foi tomada ontem após quase três horas de reunião a portas fechadas, na Câmara, com a participação de seis do sete vereadores oposicionistas, do PSDB, DEM e PPS. Amarildo de Oliveira (PPS) não esteve presente por conta de problemas de saúde de seu pai.

O grupo foi responsável pela articulação política que levou Sakai à presidência do Legislativo em dezembro do ano passado, mas acusava o vereador de mudar de lado por votar junto com o governo em projetos como o do programa de Refinanciamento Fiscal (Refis).

Com essas alegações, o vereador Gilberto Santos (PSDB), o Giba, se negou a assumir a segunda secretaria na sessão da última segunda-feira após a já esperada renúncia de Segalla após três meses no cargo, como foi acertado na ocasião da eleição da Mesa Diretora.

Com a negativa de todos os partidos políticos para a indicação de um nome para o posto, a sessão foi encerrada pelo presidente, já que o Regimento Interno não permite discussões e votações de projetos sem a Mesa completa em casos de renúncia ou falecimento.


Crise em doses


Isolado politicamente, o presidente Sakai não conseguiu apoio da base governista, ainda sentida pela ?traição? dele por se unir à oposição na eleição da Mesa, e se viu obrigado a procurar o grupo que o elegeu e encontrar uma saída para a embaraçosa situação. Com a concessão de Chiara, o presidente teve que assumir, talvez definitivamente, alinhamento junto aos oposicionistas. Na contrapartida, poderá ter de abdicar dos favores da administração pelo apoio dado até então.

Entre oposicionistas, o discurso é de amadurecimento político de Sakai, do grupo e da instituição. "Foi um grande aprendizado de que política se faz em grupo. O PP entende que é oposição e, por isso, me disponibilizei a assumir a segunda secretaria e trabalhar junto com o presidente na Mesa", aponta Chiara.

Questionada sobre outra recaída de Sakai na direção do prefeito, a vereadora afirma que os oposicionistas contam apenas com a palavra do presidente. "Palavras são palavras. Para alguns, elas podem representar muito pouco. Inicialmente, ele se comprometeu, mas cometeu erros. O Sakai assumiu esses erros, se arrependeu e nos procurou dando sua palavra. A oposição agora é formada por PSDB, DEM, PPS e PP", destaca.

O presidente diz que, a partir do diálogo com oposição e situação ocasionado pelo impasse, chegou à conclusão de que precisaria se posicionar para se manter no comando do Legislativo. "Nós estamos alinhados ao grupo para votar nos projetos de acordo com o que for bom para a cidade", tergiversa. A respeito de futuras divergências de votos em projetos na Câmara, Sakai alegou que ficou acordado também o respeito a posicionamentos individuais pelo grupo.

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