O início da safra da cana-de-açúcar já está gerando reflexos nas bombas de combustíveis de Bauru. Nesta semana, finalmente, o preço do álcool hidratado começou a cair, depois de registrar recorde histórico de R$ 2,25, o litro. Ontem, o combustível já podia ser encontrado a R$ 1,89 em vários postos da cidade, o que fez com que o produto voltasse a ser levemente mais vantajoso em relação à gasolina.
O combustível a base de petróleo, entretanto, também deve ficar mais barato nos próximos dias, já que o preço do álcool anidro adicionado em sua formulação recuou na semana passada. Ainda ontem, o litro da gasolina era comercializado a uma média variável de R$ 2,79 a R$ 2,89.
"O preço da gasolina deve cair mais lentamente. Mas, ao menos até o final da safra da cana, não deveremos ter mais as altas históricas a que assistimos neste ano", pondera o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo (Sincopetro) em Bauru, José Antônio Reghine.
Segundo ele, todas as usinas já iniciaram a moagem da cana-de-açúcar e, até o final deste mês, os valores do álcool e da gasolina devem registrar novas quedas. "Mas não acredito que cheguem aos patamares do ano passado, quando os postos chegaram a vender etanol a R$ 1,19."
Empresário do ramo, Edivaldo Tuschi avalia que os preços deverão alcançar, numa perspectiva otimista, a marca mínima de R$ 1,60. A diferença em relação a 2010, segundo ele, é explicada pelo aumento da demanda, associado à previsão de menor produção de álcool para este ano.
"O volume deverá ser menor em comparação ao ano passado. Diante de uma frota que não pára de aumentar, não há como o preço do combustível cair tanto", observa, demonstrando preocupação a respeito da quantidade de produto que será ofertado ao mercado até a safra de 2012.
Bandeira branca
Ainda que o preço do etanol tenha reduzido nas bombas de praticamente todos os postos de combustíveis, os estabelecimentos de bandeira branca - que não mantém vínculos com grandes distribuidoras e negociam compras diariamente junto a companhias menores - estão em condições de vender o combustível a preços ainda mais baixos. Ainda ontem, estavam comercializando o produto a uma média de R$ 1,85.
"As principais distribuidoras compram em grandes quantidades e, quando o preço baixa, não têm condições de repassar essa variação rapidamente aos postos bandeirados vinculados a elas. Como ainda tem muito estoque comprado pelo preço antigo, precisam aplicar a redução num ritmo muito mais lento", detalha Tuschi. A queda de valores, entretanto, deverá ser registrada em todas as bombas da cidade para os dois tipos de combustível.
Num futuro breve, o proprietário de carros flex, portanto, voltará a ter em mãos, ainda que gradativamente, uma ferramenta importante: o poder de escolha. Até há algumas semanas, eles se viam apenas em condições de optar pelo menor prejuízo.
Para concluir qual é a melhor alternativa, o consumidor deve dividir o preço do litro do álcool pelo preço da gasolina. Se o resultado for maior que 0,7, deve optar pelo segundo combustível. Se for inferior, é melhor ficar com o etanol. Em Bauru, o valor deste cálculo está em 0,69, garantindo leve vantagem para quem encher com álcool.
Desgaste do ?flex? é igual nos dois casos
Ainda que haja uma série de teorias sobre a diferença entre o desgaste que o álcool e a gasolina provocam no veículo, nenhum outro cálculo deve ser levado em consideração na hora de escolher o combustível que não o ensinado por especialistas (e citado na matéria acima). Para quem possui carro flex, o especialista em trânsito Marcos Serra Negra Camerini ensina que os dois combustíveis demandam, no longo prazo, a mesma manutenção para o automóvel.
Um dos mitos que ele rejeita é de que o álcool corrói mais rapidamente as estruturas metálicas do carro, como o escapamento, por exemplo. Também nega que o sistema de partida seja mais sobrecarregado quando se opta pelo uso deste tipo de combustível.
"Só em clima muito frio ? e quando digo frio, me refiro ao inverno do Rio Grande do Sul ou de países da Europa ? é recomendado o uso de gasolina. No inverno ameno de Bauru, a injeção eletrônica de que os carros novos dispõem é suficiente para dar conta do recado sem nenhum prejuízo", minimiza.
Camerini, no entanto, destaca que o álcool leva vantagem sobre a gasolina em três aspectos. O primeiro deles é o fato de este tipo do etanol sujar menos o óleo do motor, ainda que a orientação seja trocá-lo a cada 10 mil quilômetros rodados, independentemente do combustível utilizado.
"Outro benefício é que, quando o motorista usa apenas álcool, o carro fica mais potente, tem um desempenho melhor. Há de se considerar, ainda, que o álcool é menos poluente do que a gasolina, cuja queima dispersa hidrocarbonetos, muito mais nocivos ao meio ambiente", acrescenta.