Washington - Os Estados Unidos afirmaram ontem que não há motivos para se desculpar pela operação secreta de um comando militar que matou Osama bin Laden no Paquistão. A declaração veio horas depois do primeiro-ministro paquistanês criticar o "unilateralismo" da ação americana.
"Não nos desculpamos pela decisão que o presidente (Barack Obama) tomou", disse o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, ressaltando que Washington levou a sério as queixas do Paquistão.
Ele afirmou que Obama estava convencido de que tinha o "direito e o dever" de ordenar o ataque, realizado por uma equipe de elite da Marinha americana. Carney lembrou ainda que o presidente prometeu ainda na campanha que iria agir para pegar Bin Laden no Paquistão, se necessário.
Carney também afirmou que os Estados Unidos ainda estão buscando cooperação de Islamabad para ter acesso às três viúvas do líder da Al-Qaeda que se encontram sob custódia do Paquistão e podem ter informações vitais sobre o grupo terrorista.
"Nós acreditamos que é muito importante manter uma relação de cooperação com o Paquistão, precisamente porque é de nosso interesse de segurança nacional fazê-lo", disse Carney em entrevista a jornalistas.
Bin Laden foi morto com um tiro de um dos cerca de 20 militares da Marinha dos Estados Unidos que invadiram, em três helicópteros, sua mansão de alta segurança em Abbottabad, cidade a cerca de 50 km da capital paquistanesa. A operação durou 40 minutos e, segundo as autoridades americanos deixou ainda um dos filhos de Bin Laden, uma mulher e dois homens mortos. Nenhum militar americano ficou ferido.
Pouco depois da revelação da operação, o Paquistão se viu sob duras críticas dentro e fora do país por não ter percebido a presença do homem mais procurado do mundo tão próximo de sua capital e, ainda pior, a menos de 1 km de uma academia militar.
Paquistão reclama
O primeiro-ministro Yousuf Raza Gilani reclamou mais cedo, em um discurso no Parlamento, sobre a invasão americana em Abbottabad, depois que o governo paquistanês não foi informado com antecedência sobre o plano. O ministro paquistanês do Interior, Rehman Malik, afirmou que soube da operação apenas 15 minutos após seu início e que nem ao menos sabia do que se travava.
Barack Obama diz que decisão de matar Bin Laden não lhe tirou sono
Washington - Qualquer um que duvidar que os Estados Unidos deveriam ter matado Osama bin Laden precisa ter sua cabeça examinada, disse o presidente norte-americano Barack Obama em comentários transmitidos pela televisão no domingo.
Uma semana depois que a equipe secreta norte-americana matou Bin Laden em seu refúgio no Paquistão, Obama proclamou o sucesso e rejeitou ideias de que o líder da Al--Qaeda, que estaria desarmado, deveria ter sido capturado vivo.
Bin Laden teve o que merecia, disse Obama ao programa "60 Minutes" da CBS News, em entrevista após uma semana de atenções focadas na missão que matou Bin Laden e as decisões arriscadas que estavam por trás dela.
"Apesar de estar muito nervoso sobre todo o processo, a única coisa pela qual não perdi meu sono foi a possibilidade de matar Bin laden", disse Obama.