Madri - Um dia depois do pior terremoto em três décadas na Espanha, o governo luta para tentar acomodar e alimentar milhares de desabrigados. Os dois tremores consecutivos, de magnitudes 4,5 e 5,1 na escala Richter, que atingiram o sudeste do país, deixaram nove mortos e centenas de feridos.Na cidade de Lorca, a mais atingida, cerca de 80% das residências sofreram danos - 17% das quais estão ameaçadas de desabamento. Enquanto autoridades examinam prédios atingidos, milhares de pessoas permanecem nas ruas.
Temendo réplicas, muita gente se recusa a voltar para casa mesmo depois de especialistas terem garantido condições de segurança.
Ao menos 15 mil moradores, o equivalente a um sexto da população da cidade, ainda está acomodada em três grandes acampamentos montados pelo governo. Também há gente dormindo em praças e nas ruas. Pontos de distribuição de água e alimentos foram organizados em parques, formando longas filas. O Exército montou um hospital de emergência na cidade para atender os feridos.
Pedaços de prédios e entulho encheram algumas ruas de Lorca, que nasceu no período do Império Romano e tem também estruturas medievais que recebem turistas nacionais e estrangeiros. Muitos carros foram esmagados pelos terremotos, que aconteceram anteontem no final da tarde. O premiê, José Luis Zapatero, prometeu que seu governo "não irá poupar nenhum meio econômico" na tarefa de reconstruir a cidade, que sofreu "danos consideráveis". O tremor é o mais grave dos últimos 50 anos na Espanha e o primeiro com mortos desde 1969, quando quatro pessoas foram vitimadas em decorrência de ataques cardíacos.