São Paulo -A medida do governo para dificultar as importações de veículos no País já está surtindo efeitos, segundo informações do site do jornal argentino "El Clarín". Segundo a publicação, mais de 2 mil automóveis produzidos no país vizinho já estão parados em portos do Brasil e na aduana de Uruguaiana, no Rio Grande do Sul.
Desde terça-feira, os carros que chegam ao Brasil dependem de uma licença prévia para a liberação da guia, o que, até então, era feito de forma automática. A medida pode atrasar a entrada dos produtos em até dois meses.
Oficialmente, a mudança foi feita pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior para "monitorar o fluxo de importações" do setor, de acordo com a assessoria de imprensa do órgão.
Segundo a reportagem apurou, a medida, no entanto, é uma retaliação do governo brasileiro ao argentino, que dificulta a entrada dos produtos nacionais naquele mercado.
De acordo com o Clarín, até o momento, as restrições do governo afetaram o envio de três montadoras para o Brasil: Toyota, General Motors e Mercedes Benz. O jornal afirma, porém, que há vários navios, com automóveis de outras marcas com instalações na Argentina, a caminho de portos no Paraná e no Rio.
Anteontem, a ministra da Indústria argentina, Débora Giorgi, reagiu à notícia das travas brasileiras à importação e afirmou que o Ministério do Desenvolvimento está "atuando de forma intempestiva e sem aviso, afetando 50% do comércio bilateral".
Em nota no site do ministério da Argentina, Giorgi afirmou que quando a Argentina decidiu fazer alterações em suas licenças, o Brasil foi avisado com 30 dias de antecedência, o que, neste caso, não aconteceu.
"Esse tipo de comportamento atenta contra o diálogo natural dos sócios majoritários do Mercosul e, fundamentalmente, afeta o compromisso que assumiram as presidentes de equilibrar a balança comercial bilateral e conseguir uma industrialização harmônica em ambos os países", disse.
Medidas
A Argentina responde por mais da metade dos carros importados para o Brasil e vice-versa, diz a Anfavea (associação das montadoras).
O procedimento será válido para todos os países, seguindo a determinação da Organização Mundial do Comércio (OMC), e o Brasil tem até 60 dias para avaliar a entrada dos produtos.
Segundo Ademar Cantero, diretor de Relações Institucionais da Anfavea, "certamente haverá um reflexo (para as empresas), mas ainda não conseguimos quantificar", acrescentando ainda que será preciso reprogramar as importações.
O executivo de uma grande montadora foi mais enfático, ressaltando que a medida vai influenciar o fluxo de caixa das empresas, já que os carros foram pagos, mas, enquanto não entrarem no país, não poderão ser vendidos e gerar receita.
A maior parte dos carros importados é trazida pelas montadoras com fábrica no Brasil, principalmente da Argentina e do México, com os quais há acordos comerciais para isenção na alíquota de importação, de 35%, de acordo com a logística de produção de cada empresa.
A Fiat, por exemplo, líder na venda de automóveis e comerciais leves, importa da fábrica na Argentina o Siena, também produzido no Brasil.
A GM traz o Agile do país vizinho, o Camaro do Canadá, o Malibu dos EUA e a Captiva do México. O Focus e o Ranger, da Ford, vêm da Argentina. O Fusion e o New Fiesta, do México. Desse país, a Volks traz o Jetta, e o SpaceFox vem da Argentina.