Buenos Aires - Com quase 3 mil automóveis barrados na fronteira com o Brasil desde a última quarta-feira, as montadoras argentinas criticam a decisão do governo brasileiro de adotar o regime de licenciamento não automático para importação de automóveis.
Em nota distribuída ontem à imprensa, a Associação de Fábricas de Automotores (Adefa), equivalente à Anfavea, expressou "a preocupação da indústria automobilística argentina pelo conflito que dificulta o comércio automotivo bilateral com o Brasil". Para o presidente da Adefa, Aníbal Borderes, as medidas "levantam dúvidas sobre o andamento do Mercosul, que já demonstrou ser instrumento válido para o crescimento e desenvolvimento dos países da região".
Borderes disse que a indústria argentina "realizou importantes investimentos, particularmente na última década, para moldar uma matriz exportadora competitiva em nível mundial, que lhe permitiu não só incrementar sua participação nos mercados da região, mas também em outros dos cinco continentes". Nesse sentido, ele detalhou que 60% dos automóveis fabricados na Argentina são destinados aos mercados externos e 80% do volume exportado são enviados ao Brasil.
Borderes detalhou que o setor é responsável por 50% do crescimento industrial da Argentina e emprega mais de 30 mil trabalhadores de alta especialização. "Pelo efeito multiplicador, cada emprego nas montadoras gerou cerca de cinco postos de trabalho no resto da cadeia produtiva, que hoje compreende 137 mil trabalhadores, os quais representam 7,5% do emprego formal da indústria", afirmou.
O executivo destacou os efeitos que as barreiras brasileiras podem gerar sobre a produção e o emprego não só na Argentina. No médio prazo, continuou, "as barreiras também colocam em risco os avanços registrados na indústria automobilística de ambos os países, devido a um eventual deterioração das condições e da imagem que se devem preservar para que a região continue sendo um polo de atração dos investimentos que as casas matrizes decidem regularmente".
Remédio varia até 987%
São Paulo - Os preços de medicamentos genéricos podem variar até 987% entre farmácias e drogarias na cidade de São Paulo, segundo pesquisa da Fundação Procon-SP divulgada ontem. A maior diferença foi contabilizada no Diclofenaco Sódico (50 mg, 20 comprimidos), encontrado por R$ 10,00 e R$ 0,92.
Entre os de referência, a maior variação foi de 135%, no medicamento Amoxil (Amoxicilina), da Glaxosmithkline (500 mg, 21 cápsulas), vendido a R$ 49,00 e a R$ 20,86.
O levantamento fez ainda uma comparação entre os preços dos genéricos com os de referência de mesma apresentação, constatando que, em média, os genéricos são 57% mais baratos do que os de referência. O órgão lembra que um genérico de um mesmo laboratório também pode apresentar preços diferentes entre as drogarias/farmácias, reforçando a necessidade da pesquisa.
Produto brasileiro leva 2 meses
para entrar no país vizinho
Brasília - O ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, reafirmou ontem que a Argentina demorava mais de 60 dias para autorizar a entrada de produtos brasileiros.
Segundo regras da Organização Mundial do Comércio (OMC) o tempo máximo para a expedição de licenças é de dois meses. "A Argentina não está cumprindo os 60 dias, isso gera desconforto e é um problema. Em muitos casos, esse prazo já foi ultrapassado", declarou Pimentel.
Pimentel, porém, voltou a negar que a adoção de licenças não automáticas para entrada de automóveis no Brasil seja retaliação às restrições argentinas a produtos brasileiros, mas uma medida de controle a importação de carros.
Segundo o ministro, a balança comercial de carros está desfavorável ao Brasil, e a medida vai ser dirigida a todos os países exportadores de veículos. Atualmente o déficit do setor automobilístico brasileiro é de US$ 1,5 bilhão nos quatro primeiros meses do ano. "A medida que a gente adotou não é contra nenhum país especificamente. É porque nesse momento a nossa balança está extremamente deficitária em relação a isso", afirmou.
De acordo com o ministro, apesar de a medida ser para todos os países, o problema maior é com a Argentina por ela fazer fronteira com o Brasil. "O único país que faz fronteira com o país e que foi prejudicado é a Argentina, é o único país que tem barreira seca", afirmou.
Desde terça-feira, os importadores devem pedir licenças de importação não automáticas, após o governo impor barreiras para dificultar a vinda de carros fabricados no país vizinho. As licenças somente serão expedidas após técnicos do governo analisarem as solicitações e, com isso, podem demorar por até 60 dias.