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Concurso ?explode? estoque de sangue

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 3 min

Nos últimos dias, o Hemonúcleo de Bauru vem passando por uma situação inusitada. Acostumado a sofrer com a falta de doadores de sangue, a "temporada" de concursos públicos municipais triplicou a média diária de doações, que passou de aproximadamente 70 para 250 (crescimento de 257%).

Nesta semana, o órgão registrou até fila de pessoas interessadas em colaborar para o aumento de um precioso estoque, que pode salvar vidas. A situação obrigou o Hemonúcleo, inclusive, a adotar o sistema de distribuição de senhas para organizar o movimento no local.

A explicação está em uma lei municipal que isenta de pagamento das taxas de inscrição os candidatos a concursos públicos municipais. Nestes períodos, o Banco de Sangue chega a receber em um único dia até 250 doadores, com 120 no período da manhã e 130 à tarde.

A diretora do Hemonúcleo de Bauru, médica Telma Freitas, acredita que o número de 70 doadores diários é o ideal para atender a demanda por sangue e derivados. Ela esclarece que campanhas específicas de doação levam ao órgão um número de doadores similar à grande quantidade de pessoas nos momentos de concursos. Segundo ela, o sangue tem que ser utilizado em no máximo 30 dias após a doação.

A diretora ressalta que todos os doadores são bem-vindos e a equipe faz um esforço para atendê-los diariamente. Aproveitando a situação, Telma Freitas diz que encaminhará uma sugestão à Câmara Municipal de Bauru para a adequação da legislação ao caráter de espontaneidade explícito no ato da doação de sangue.

Adequação


De acordo com ela, a lei poderia propiciar isenção do valor de inscrição somente para pessoas com mais de três doações. Isso poderia colaborar para um equilíbrio no volume de sangue doado ao longo do ano todo, já que em vários períodos o Hemonúcleo fica com o estoque muito baixo diante da pequena quantidade de voluntários.

"Não pode haver uma vinculação pecuniária para a doação, porque deixa de ter o caráter altruísta", enfatiza a médica.

Ela alerta, ainda, para o risco dos doadores omitirem sua real condição de saúde e comportamento social no momento da entrevista diante de seu objetivo maior, que é a isenção da taxa.

Caso o candidato a doador omita alguma informação relevante para obter um atestado como doador, existe risco à qualidade do sangue disponível a quem precisa. Freitas esclarece que o material colhido passa por um minucioso exame.

Uma "concurseira" se apresentou dias atrás no Hemonúcleo de Bauru para doar sangue visando o benefício da isenção de taxa. Na ocasião, a estudante universitária, que pediu para não ser identificada, não conseguiu uma das 70 senhas disponíveis para doação naquele dia.

Segundo o pai dela, que também teve sua identidade preservada, no dia seguinte a moça obteve a senha, mas foi barrada nos exames preliminares por apresentar anemia, condição que inviabiliza a doação.

Para o pai da estudante, o fato de se ter constatado o problema foi excepcional. No entanto, ele estranha que não ocorra uma interligação entre os bancos de sangue da região para receber o excedente de material colhido em Bauru.

"É contraditório, porque fui a um hospital de Bauru hoje (ontem) e lá havia um cartaz pedindo doadores", observa.

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