Belgrado - A defesa do ex-chefe militar sérvio-bósnio Ratko Mladic, preso anteontem depois de 16 anos foragido, tentará evitar extradição à Holanda, sede do tribunal da ONU para a ex-Iugoslávia, com base no seu frágil estado de saúde.
A Justiça sérvia deu ontem autorização inicial para a extradição de Mladic, mas ainda cabe recurso. Uma decisão final deve ocorrer a partir da próxima segunda-feira. Mladic, que liderou o Exército sérvio-bósnio durante a Guerra da Bósnia (1992-95), responde a 15 acusações no Tribunal Penal Internacional para Ex-Iugoslávia, da ONU.
Entre os crimes a ele atribuídos estão o massacre de Srebrenica (1995), em que mais de 8.000 muçulmanos foram assassinados, e o cerco de mais de três anos a Sarajevo, a capital da Bósnia.
Se condenado, Mladic pode receber sentença de prisão perpétua, uma vez que não existe pena de morte.
Segundo seu advogado e amigo de longa data, Milos Saljic, o ex-líder militar teve dois ataques cardíacos e três derrames que chegaram a deixá-lo paralisado e hoje comprometem movimentos de um de seus braços.
Mladic, 69 anos, diz o advogado, tem a boca deformada, pele pálida e apresenta má higiene e má nutrição pelos anos em que viveu recluso.
"Se ele for para Haia (a sede do tribunal), não vai durar três anos. Vai voltar em um caixão", afirmou Saljic, segundo o jornal "New York Times". O filho de Mladic, Darko, também foi a público defender a não extradição do pai.